segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Direitos Humanos

Ativista aponta risco de retrocesso da ação policial no Rio 
Por: Anselmo Massad, Rede Brasil Atual
Publicado em 25/11/2010, 18:30
Última atualização às 19:13

São Paulo – A ação policial no Rio de Janeiro diante dos incêndios de veículos no estado deveria ser centrada na garantia de valorização da vida, diz Raquel Willadino, coordenadora de Direitos Humanos do Observatório de Favelas. A organização sediada na capital fluminense manifesta preocupação com excessos cometidos pela polícia em operações como a ocupação da Vila Cruzeiro, na zona norte da cidade, nesta quinta-feira (25).

"As preocupações centrais neste momento estão relacionadas à possibilidade de execuções sumárias, até com referência ao que aconteceu em São Paulo em maio de 2006", relembra. Ela refere-se a ataques promovidos pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) há quatro anos. Nos nove dias seguintes às ações, investidas violentas da polícia deixaram 564 mortos no estado paulista, a maioria civis sem antecedentes criminais.

Desde domingo (21), 55 veículos foram incendiados e 121 pessoas foram presas pela polícia carioca. Há registros de 23 mortos. Tanto o governador Sérgio Cabral como o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, sustentam que as ações são ataques coordenados do crime organizado, em reação à política de segurança adotada pela gestão. A principal frente são as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

Para Raquel Willadino, o clamor de parte da população por atitudes drásticas após os crimes pode legitimar ações truculentas da polícia. "É imprescindível que não haja retrocesso na política de segurança no estado", defende. "Recentemente, houve avanços no sentido de se romper com a lógica do confronto, e o estado não pode retroceder, não pode abandonar este pressuposto", sustenta. O que está em jogo, na visão da ativista, é a garantia de segurança para os moradores de todas as áreas da cidade do Rio de Janeiro. "Isso é importante porque, em investidas como as deste momento, são os moradores das favelas que sofrem mais", vaticina.

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