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domingo, 2 de dezembro de 2012

O Pré-Sal e a educação

O Pré-Sal e a educação 

Henrique Matthiesen

Desde 2006 o Brasil vive a grande expectativa sobre as riquezas do Pré-Sal. Os indícios de Petróleo nas áreas marítimas do território pátrio foram confirmados pela Petrobrás com grande festa no ano de 2008.

Trata-se de uma imensa reserva de petróleo estimada em 80 Bilhões de barris de petróleo e gás que eleva o Brasil à sexta posição de maior detentor de petróleo do mundo, atrás apenas da Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes.

Essa descoberta representa uma enorme oportunidade para o país, um passaporte para o desenvolvimento de nossa nação.

Já somos hoje a sexta economia do mundo. Somos o maior exportador de carne, de frango, de boi, somos também o maior exportador e produtor de soja, o maior exportador e produtor de café, somos autossuficiente em trigo, como também somos um dos mais bem sucedidos construtores de aviões do mundo através da Embraer, ainda fabricamos aço, minério, e tantos outras riquezas e mais riquezas.

Mas, tudo isso, perde seu valor se continuarmos tendo uma das piores educação do planeta. Necessitamos com urgência libertarmos nosso povo.

Sim, libertar para uma educação que forje nossa sociedade para sua plena independência e soberania. Temos que ter uma escola honesta de tempo Integral, CIEP, para que as futuras gerações possam usufruir de nossa pátria e de nossas riquezas.

Isso não se trata apenas de uma discussão acadêmica, sociológica, ou filosófica. Precisamos garantir que o filho do trabalhador se sinta inserido em nossa sociedade e mais ainda necessitamos de libertar milhares e milhares de brasileiros da miséria, da ignorância, da inércia social.

Investir em educação é libertar uma geração, um povo, uma pátria e construir os alicerceares de nossas riquezas futuras.

Temos hoje esta oportunidade de promovermos a grande revolução que o Brasil anseia desde sua gênese enquanto povo soberano.

Não podemos perder essa oportunidade de transformar as riquezas do Pré-Sal na riqueza de nossa libertação através da educação.

E imprescindível um plano nacional, de qualificação, começando por um plano de carreira aos professores pagando salários dignos de sua importância na sociedade que são hoje heróis abnegados de uma escola desonesta, falida em todas as suas concepções.

Imprescindível também é transformar assim como os países desenvolvidos, as escolas.

O Brasil não pode mais abdicar de educação de tempo Integral , assim como faz a Alemanha, a França, o Japão, etc., etc. Não cabe aos nossos dirigentes tirar essa oportunidade singular de nossa sociedade.

As riquezas do Pré-Sal têm que estar carimbadas para essa tarefa enorme de revolucionar nossa educação e que essa revolução seja, por meio do CIEP, de escolas de tempo integral, de um povo liberto, soberano e dono de seu destino.

Esse é o desafio do Pré-Sal e da sociedade brasileira.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A escola pública paulista, o material pedagógico e o racismo.

Do Brasil 247

Governo Alckmin é condenado por racismo

Foto: Felipe L. Gonçalves/247

MATERIAL DISTRIBUÍDO POR PROFESSORA DA REDE PÚBLICA A ALUNOS ASSOCIAVA A COR NEGRA AO DEMÔNIO; INDENIZAÇÃO SERÁ DE R$ 54 MIL A FAMÍLIA QUE SE SENTIU ATINGIDA

30 de Janeiro de 2012 às 08:46

Fernando Porfírio _247 - O governo paulista foi condenado por disseminar o medo e a discriminação racial dentro de sala de aula. A decisão é do Tribunal de Justiça que deu uma “dura” no poder público e condenou o Estado a pagar indenização de R$ 54 mil a uma família negra. De acordo com a corte de Justiça, a escola deve ser um ambiente de pluralidade e não de intolerância racial.

O Estado quedou-se calado e não recorreu da decisão como é comum em processos sobre dano moral. O juiz Marcos de Lima Porta, da 5ª Vara da Fazenda Pública, a quem cabe efetivar a decisão judicial e garantir o pagamento da indenização, deu prazo até 5 de abril para que o Estado dê início à execução da sentença.

O caso ocorreu na capital do Estado mais rico da Federação e num país que preza o Estado Democrático de Direito instituído há quase 24 anos pela Constituição Federal de 1988. Uma professora da 2ª série do ensino fundamental, de uma escola estadual pública, distribuiu material pedagógico supostamente discriminatório em relação aos negros.

De acordo com a decisão, a linguagem e conteúdo usados no texto são de discriminatórias e de mau gosto. Na redação – com o título “Uma família diferente” – lê-se: Era uma vez uma família que existia lá no céu. O pai era o sol, a mãe era a lua e os filhinhos eram as estrelas. Os avós eram os cometas e o irmão mais velho era o planeta terra. Um dia apareceu um demônio que era o buraco negro. O sol e as estrelinhas pegaram o buraco negro e bateram, bateram nele. O buraco negro foi embora e a família viveu feliz.

O exercício de sala de aula mandava o aluno criar um novo texto e inventar uma família, além de desenhar essa “família diferente”. Um dos textos apresentados ao processo foi escrito pela aluna Bianca, de sete anos. Chamava-se “Uma Família colorida” e foi assim descrito:

“Era uma vez uma família colorida. A mãe era a vermelha, o pai era o azul e os filhinhos eram o rosa. Havia um homem mau que era o preto. Um dia, o preto decidiu ir lá na casa colorida.Quando chegou lá, ele tentou roubar os rosinhas, mas aí apareceu o poderoso azul e chamou a família inteira para ajudar a bater no preto. O preto disse: - Não me batam, eu juro que nunca mais vou me atrever a colocar os pés aqui. Eu juro. E assim o azul soltou o preto e a família viveu feliz para sempre”.

A indenização, que terá de sair dos cofres públicos, havia sido estabelecida na primeira instância em R$ 10,2 mil para os pais do garoto e de R$ 5,1 mil para a criança, foi reformada. Por entender que o fato era “absolutamente grave”, o Tribunal paulista aumentou o valor do dano moral para R$ 54 mil – sendo R$ 27 mil para os pais e o mesmo montante para a criança.

De acordo com a 7ª Câmara de Direito Público, no caso levado ao Judiciário, o Estado paulista afrontou o princípio constitucional de repúdio ao racismo, de eliminação da discriminação racial, além de malferir os princípios constitucionais da igualdade e da dignidade da pessoa humana.

“Sem qualquer juízo sobre a existência de dolo ou má-fé, custa a crer que educadores do Estado de São Paulo, a quem se encarrega da formação espiritual e ética de milhares de crianças e futuros cidadãos, tenham permitido que se fizesse circular no ambiente pedagógico, que deve ser de promoção da igualdade e da dignidade humana, material de clara natureza preconceituosa, de modo a induzir, como induziu, basta ver o texto da pequena Bianca o medo e a discriminação em relação aos negros, reforçando, ainda mais, o sentimento de exclusão em relação aos diferentes”, afirmou o relator do recurso, desembargador Magalhães Coelho.

Segundo o relator, a discriminação racial está latente, “invisível muitas vezes aos olhares menos críticos e sensíveis”. De acordo com o desembargador Magalhães Coelho, o racismo está, sobretudo, na imagem estereotipada do negro na literatura escolar, onde não é cidadão, não tem história, nem heróis. Para o relator, ao contrário, é mau, violento, criminoso e está sempre em situações subalternas.

“Não é por outra razão que o texto referido nos autos induz as crianças, inocentes que são, à reprodução do discurso e das práticas discriminatórias”, afirmou Magalhães Coelho. “Não é a toa que o céu tem o sol, a lua, as estrelas e o buraco negro, que é o vilão da narrativa, nem que há “azuis poderosos”, “rosas delicados” e “pretos” agressores e ladrões”, completou.

O desembargador destacou que existe um passado no país que não é valorizado, que não está nos livros e, muito menos, se aprende nas escolas.

“Antes ao contrário, a pretexto de uma certa “democracia racial”, esconde-se a realidade cruel da discriminação, tão velada quanto violenta”, disse. Segundo Magalhães Coelho, na abstração dos conceitos, o negro, o preto, o judeu, o árabe, o nordestino são apenas adjetivos qualificativos da raça, cor ou região, sem qualquer conotação pejorativa.

“Há na ideologia dominante, falada pelo direito e seus agentes, uma enorme dificuldade em se admitir que há no Brasil, sim, resquícios de uma sociedade escravocrata e racista, cuja raiz se encontra nos processos históricos de exploração econômica, cujas estratégias de dominação incluem a supressão da história das classes oprimidas, na qual estão a maioria esmagadora dos negros brasileiros”, reconheceu e concluiu o desembargador.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

O trabalhismo e a reforma do Estado

O trabalhismo tem como historia a ideia da modernidade do Estado brasileiro. Foi assim com Getúlio Vargas, que ao chefiar a revolução de 30, transformou um país semifeudal em um país em franco desenvolvimento e industrialização.

Infelizmente, o golpe de 1964 que derrubou João Goulart impediu a continuação da modernização de nosso país e hoje, a agenda das reformas de base é tão contemporânea como em 1964.

Entretanto, a reforma das reformas está na educação, base de qualquer sociedade civilizada e desenvolvida. É urgente compreender que é na educação de nosso povo que edificaremos a justiça social e a modernidade, assim como a industrialização de nossa pátria.

Para isso, a educação deve ser uma prioridade de Estado, como elemento essencial de nossa afirmação soberana e nosso desenvolvimento.

Um projeto de nação que visa sua soberania na afirmação de sua identidade, é essencial que todo sistema educacional seja estatal.

Não cabe à iniciativa privada a formação de nossa inteligência e de nosso desenvolvimento. A educação é um elemento estratégico para a formação e a construção de um projeto nacional.

A política educacional no Brasil deve ser do mesmo modo uniforme, respeitando as culturas regionais, mas deve ser dirigida pelo Estado Brasileiro, federalizada em sua plenitude.

Como também deve ser de período integral da creche ao ensino médio, e nossas universidades têm que ser abertas e preparadas para as necessidades de nosso povo. Cabe à universidade a posição estratégica da busca de novas tecnologias para nossa industrialização, como também a pesquisa como elemento fundamental de nosso desenvolvimento nas áreas das ciências humanas.

Nossa educação tem que se caracterizar por uma visão mais humanística, ressaltar e aprofundar valores de solidariedade, de cooperação, de respeito à diversidade, além de ser um instrumento do pleno desenvolvimento intelectual e cultural numa visão crítica e construtiva do Estado e da sociedade Brasileira.

Para isso é necessário que se rompa com este modelo alienante e falido de nosso sistema educacional. É urgente que atrelemos 10% de nosso PIB para a educação, como também que garantiremos que nossas reservas petrolíferas como o do Pré-Sal seja investido em pelo menos 50% na educação.

É importante compreender que o trabalhismo do século XXI só será possível se elevarmos o nível educacional e cultural de nosso povo, uma vez que a elevação desses fatores - educação e cultura -,são elementos fundamentais para o aperfeiçoamento de nosso Estado.

Portanto, somente com a reforma da educação podemos pensar no trabalhismo como pensamento e como opção de uma nova sociedade.

O trabalhismo do século XXI tem que ser forjado na reforma educacional, na mudança dos paradigmas que norteiam nossa sociedade, pois, sem isso o trabalhismo se torna utópico.

Cabe ao PDT organizar a sociedade para darmos o grande salto que necessitamos de uma nação forte soberana e dona de si.

Esse é o trabalhismo do século XXI o trabalhismo pela educação.




 Henrique Matthiesen