sábado, 14 de maio de 2011

Chernobyl: o passado condena a energia nuclear e o futuro é absolutamente incerto

Via cartamaior.com.br

 

Chernobyl: catástrofe no passado, presente e futuro 

Um quarto de século se passou, mas a tragédia de Chernobyl está longe de pertencer ao passado. Mesmo após a construção do sarcófago, não foi possível reocupar todas as áreas que foram contaminadas. Cinco milhões de hectares de terras foram inutilizados, e houve contaminação significativa de florestas. Outra incógnita refere-se às consequências da radiação para a vida animal. Os cientistas registraram queda da biodiversidade e várias mutações genéticas em pássaros, insetos e flores. No que diz respeito às pessoas, a situação ainda é alarmante. O artigo é de Larissa Ramina.
Larissa Ramina

Há aniversários que provocam dor e revolta. Vinte e cinco anos depois do acidente nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, em 26 de abril de 1986, milhões de pessoas continuam sofrendo os devastadores efeitos radiológicos, psicológicos, sociais, ecológicos e econômicos da maior catástrofe da história nuclear civil. O desastre revelou ao mundo que o uso civil da energia nuclear era capaz de produzir os mesmos efeitos de uma bomba atômica!

Por uma infeliz coincidência, a data foi marcada pelo vazamento dos reatores da usina nuclear de Fukushima, resultante de um terremoto de grande magnitude que atingiu o Japão em março passado. A tragédia, somada aos acidentes de Tcheliabinsk na União Soviética em 1957, na Three Miles Island, nos Estados Unidos em 1979, e em Goiânia em 1987, fomentou o debate acerca da viabilidade da energia limpa como alternativa à energia derivada de recursos fósseis.

A explosão do reator de Chernobyl liberou uma nuvem radioativa gigantesca que contaminou tudo num raio de 200.000km2, chegando até a Europa e à África, e progressivamente irradiando efeitos por toda a atmosfera terrestre. Estima-se que milhares de pessoas foram contaminadas. Em seguida ao acidente, a União Soviética realocou cerca de 350.000 pessoas que viviam nas proximidades, e enviou quase 600 mil pessoas, entre bombeiros, civis e soldados, que foram apelidados de "liquidadores", à zona afetada para a construção de um sarcófago que isolasse o material radioativo concentrado no reator por 20 a 30 anos. Não há estudos confiáveis, mas estima-se que a maior parte daquelas pessoas tenha sofrido, esteja sofrendo ou sofrerá algum efeito em decorrência da exposição à radiação. Esses efeitos, por sua vez, serão transmitidos de geração para geração.

Um quarto de século se passou, mas a tragédia de Chernobyl está longe de pertencer ao passado. Mesmo após a construção do sarcófago, não foi possível reocupar todas as áreas que foram contaminadas. Cinco milhões de hectares de terras foram inutilizados, e houve contaminação significativa de florestas. Outra incógnita refere-se às consequências da radiação para a vida animal. Os cientistas registraram queda da biodiversidade e várias mutações genéticas em pássaros, insetos e flores. No que diz respeito às pessoas, a situação é alarmante. Além daquelas diretamente afetadas, as estimativas oficiais não se pronunciam a respeito dos milhões de seres humanos afetados indiretamente pela nuvem radioativa que cruzou continentes, levando à conclusão de que a catástrofe não tem qualquer relação com suas mortes e doenças.

O acidente provocou a liberação de quantidade 400 vezes maior de material radioativo do que aquela liberada pelas bombas despejadas sobre Hiroshima e Nagasaki, no final da Segunda Guerra Mundial. A precipitação radioativa de Chernobyl permanece como um perigo para o meio ambiente, mas quase não há pesquisas sobre o tema. As regiões mais afetadas pela poeira e cinza radioativas têm contaminação em até 20 centímetros abaixo do solo. Elas representam uma fonte pequena, mas constante, de exposição. As partículas radioativas passam do solo para as plantas por meio das raízes, e para os animais por meio da vegetação que os alimenta e, para os humanos, por meio da carne e do leite. Absorvida pelo corpo humano, a radiação danifica o DNA. Médicos e geneticistas alertam para os efeitos das doses fracas de radioatividade em dezenas de milhões de pessoas que vivem, bebem, se alimentam e se reproduzem em um meio contaminado: tumores cancerígenos, cardiopatias, fadigas crônicas e doenças inéditas. Para além de tudo isso, teme-se efeitos irreversíveis sobre o genoma humano.

Estima-se que muitas doenças hereditárias, provocadas por mutações genéticas, atingirão milhares de bebês no futuro. A conclusão trágica é de que o acidente nuclear de Chernobyl deverá ficar perpetuado por várias gerações no patrimônio genético da humanidade. Não se trata, portanto, de assunto do passado, mas também do presente e do futuro. Seja através da explosão de uma bomba nuclear ou de um acidente como o de Chernobyl, o fato é que todos nós estamos expostos direta ou indiretamente aos resquícios das atividades nucleares na atmosfera terrestre. Os efeitos de Chernobyl em longo prazo na saúde pública e no meio ambiente permanecem desconhecidos.

Além disso, décadas depois da catástrofe, as regiões afetadas permanecem social e economicamente devastadas. Para além das 350.000 pessoas evacuadas, 784.320 hectares de terras agrícolas foram proibidos para o cultivo e outros 700.000 hectares tiveram vetada a produção de madeira. Por outro lado, o sarcófago, pleno de fissuras, ameaça ceder e necessita da construção de um reforço que custará mais de um bilhão de dólares.

Atualmente existem 440 centrais nucleares no mundo, que significam 440 focos de riscos de desastres nucleares. O Brasil já passou por uma experiência traumática em Goiânia. Seria oportuno aproveitar o momento de discussão mundial, para retomar o debate acerca do futuro da energia nuclear no Brasil, envolvendo os mais diversos setores da sociedade, uma vez que o assunto ultrapassa a questão estratégico-energética, afetando de pleno a saúde pública e o meio-ambiente.

(*) Doutora em Direito Internacional pela USP, professora da UniBrasil e do UniCuritiba.

Morte de Bin Laden: queima de arquivo, traição e muito jogo de cena.

Via cartamaior.com.br

 

"Bin Laden foi traído? Certamente que sim. O Paquistão sabia onde ele estava" 

A desaparição de Bin Laden lança uma luz sombria sobre o Paquistão. Durante meses, o presidente Alí Zardari nos disse que Osama vivia em uma caverna no Afeganistão. E agora descobrimos que ele vivia em uma mansão no Paquistão. Foi traído? Claro que sim. Pelos militares ou pelos serviços de inteligência do Paquistão? É muito provável que pelos dois. O Paquistão sabia onde estava. Há uma pergunta muito óbvia sem resposta: as forças de segurança do Paquistão não poderiam ter capturado Bin Laden? O artigo é de Robert Fisk.
Robert Fisk - La Jornada

Um dom nada de meia idade, um fracassado político, rebaixado pela história – pelos milhões de árabes que exigem liberdade e democracia no Oriente Médio -, morreu no Paquistão neste domingo. E o mundo enlouqueceu. Nem bem havia nos apresentado uma cópia de sua certidão de nascimento, o presidente estadunidense apareceu no meio da noite para nos oferecer ao vivo um atestado da morte de Osama Bin Laden, abatido em uma cidade batizada em homenagem a um major do exército do velho império britânico. Um só tiro na cabeça, nos dizem. Mas e o vôo secreto do corpo até o Afeganistão e o igualmente secreto sepultamento no mar?

A estranha forma pela qual se livraram do corpo – nada de santuários, por favor – foi quase tão grotesca como o homem e sua perversa organização.
Os estadunidenses estavam embriagados de alegria. David Cameron chamou-o de um enorme passo adiante. A Índia falou em feito vitorioso. Um triunfo retumbante, alardeou o primeiro ministro israelense Netanyahu. Mas, após 3 mil estadunidenses assassinados no 11 de setembro, incontáveis outros no Oriente Médio, cerca de meio milhão de vítimas mortais no Iraque e no Afeganistão e 10 anos empenhados na busca de Bin Laden, oremos para que não tenhamos mais triunfos retumbantes.

Ataques em represália? Talvez ocorram, de pequenos grupos no Ocidente que não têm contato direto com a Al Qaeda. Ninguém duvide que alguém já esteja sonhando com uma brigada do mártir Osama Bin Laden. Talvez no Afeganistão, entre os talibãs. Mas as revoluções de massas dos últimos quatro meses no mundo árabe significam que a Al Qaeda já estava politicamente morta. Bin Laden disse ao mundo – e, de fato, me disse pessoalmente – que queria destruir os regimes pró-ocidentais no mundo árabe, as ditaduras dos Mubaraks e dos Ben Alis. Queria criar um novo califado islâmico. Mas nestes últimos meses, milhões de árabes muçulmanos se levantaram, dispostos ao martírio, mas não pelo Islã e sim por democracia e liberdade. Bin Laden não derrubou os tiranos: foi o povo. E o povo não quer um califa.

Reuni-me três vezes com o homem e só me restou uma pergunta por fazer: o que pensava ao observar como se desenvolviam as revoluções este ano, sob as bandeiras de nações, mais que do islã, cristãos e muçulmanos juntos, pessoas que seus homens da Al Qaeda gostam de arrebentar?

Aos seus olhos, seu êxito foi criar a Al Qaeda, instituição que não tinha carteira de membro. Bastava levantar uma manhã querendo ser da Al Qaeda e já o era. Ele foi o fundador, mas nunca um guerreiro em batalha. Não havia um computador em sua caverna, nem fazia chamadas para que detonassem bombas. Enquanto os ditadores árabes governavam sem que ninguém os enfrentasse, com apoio ocidental, evitavam até onde fosse possível criticar a política de Washington; só Bin Laden o fazia. Os árabes nunca quiseram explodir aviões de altos edifícios, mas admiravam o homem que dizia o que eles queriam dizer. Mas agora, cada vez mais, podem dizê-lo. Não precisam de Bin Laden. Ele se tornou um dom nada.

Falando de cavernas, a desaparição de Bin Laden lança uma luz sombria sobre o Paquistão. Durante meses, o presidente Alí Zardari nos disse que Osama vivia em uma caverna no Afeganistão. E agora descobrimos que ele vivia em uma mansão no Paquistão. Foi traído? Claro que sim. Pelos militares ou pelos serviços de inteligência do Paquistão? É muito provável que pelos dois. O Paquistão sabia onde estava.

Abbottabad não é só o lugar que abriga o colégio militar desse país – a cidade foi fundada pelo major James Abbott, do exército britânico, em 1853 -, como também é o quartel da segunda divisão do corpo do exército do norte. Há apenas um ano, fui atrás de uma entrevista com um dos criminosos mais procurados, o líder do grupo responsável pelos massacres de Bombaim. Encontrei-o na cidade paquistanesa de Lahore, protegido por policiais paquistaneses armados com metralhadoras.

Desde logo, há uma pergunta muito óbvia sem resposta: as forças de segurança do Paquistão não poderiam ter capturado Bin Laden? Por acaso a CIA e os Seals da Marinha dos EUA, ou as forças especiais, ou qualquer que seja a força estadunidense que o tenha morto não tinha os meios para lançar uma rede no tigre. Justiça: foi assim que Barack Obama definiu essa morte. Nos velhos tempos, Justiça significada devido processo legal, um tribunal, uma audiência, um defensor, um julgamento. Como os filhos de Saddam Hussein, Bin Laden foi morto a tiros. Claro, ele jamais quis que o pegassem vivo...e havia sangue em abundância na casa onde morreu.

Mas um tribunal teria preocupado muito mais a outras pessoas do que a Bin Laden. Afinal, depois de tudo o que aconteceu, poderia ter falado de seus contatos com a CIA durante a ocupação soviética do Afeganistão, ou de suas acolhedoras reuniões em Islamabad com o príncipe Turki, chefe da Inteligência da Arábia Saudita. Assim como Saddam Hussein – que foi julgado pelo assassinato de apenas 153 pessoas e não pelos milhares de kurdos vítimas de bombas químicas – foi enforcado antes que tivesse a oportunidade de nos contar sobre os componentes do gás fornecidos pelos EUA, sobre sua amizade com Donald Rumsfeld ou sobre a ajuda militar que recebeu de Washington quando invadiu o Irã, em 1980.

É estranho que Bin Laden não tenha sido o criminoso mais procurado pelos crimes internacionais de lesa humanidade do 11 de setembro de 2001. Ele ganhou seu status do velho oeste por ataques anteriores da Al Qaeda a embaixadas dos EUA na África e ao quartel do exército desse país, em Durban. Sempre estava à espera dos mísseis de cruzeiro...e eu também quando me reuni com ele. Ele esperava a morte antes, nas cavernas de Tora Bora, em 2001, quando seus guarda costas não o deixaram resistir e o obrigaram a cruzar as montanhas a pé até o Paquistão. Seguramente passou algum tempo em Karachi. Estava obcecado com essa cidade: até me deu fotografias de grafites apoiando a sua causa nos muros da antiga capital paquistanesa, e elogiava os imãs locais.

Suas relações com outros muçulmanos eram um mistério. Quando me reuni com ele no Afeganistão, no início ele tinha medo do talibã e não deixou que eu deixasse seu acampamento e fosse para Jalalabad à noite. E me entregou a seus guardas mais próximos da Al Qaeda para que me protegessem na viagem no dia seguinte. Seus seguidores odiavam os muçulmanos xiitas, considerando-os hereges. Para eles todos eram ditadores e infiéis, ainda que Bin Laden estivesse disposto a cooperar com os ex-baazistas iraquianos (aliados de Saddam Hussein) contra os ocupantes estadunidenses, o que afirmou em uma gravação de áudio a qual a CIA, tipicamente, não deu importância. Nunca elogiou o Hamas e dificilmente seria digno da definição de “guerreiro sagrado” que esse grupo dedicou a ela, o que foi parar, como de hábito, diretamente nas mãos israelenses.

Nos anos posteriores a 2001, tive uma débil comunicação indireta com Bin Laden. Certa vez, reuni-me com um dos sócios no qual confiava na Al Qaeda, em uma localidade secreta do Paquistão. Escrevi uma lista de 12 perguntas, a primeira das quais era óbvia: que tipo de vitória a Al Qaeda pode proclamar, uma vez que suas ações conduziram à ocupação de nações muçulmanas por Washington? Durante semanas não houve resposta. De repente, em um fim de semana, quando esperava para dar uma conferência em San Louis, Missouri, nos EUA, me disseram que a Al Jazeera acabava de difundir uma nova gravação de Bin Laden. E ele respondeu – sem fazer menção a minha lista – uma a uma minhas 12 perguntas. Ele queria que os estadunidenses fossem ao mundo muçulmano...para poder destruí-los.

Quando Daniel Pearl, jornalista do Wall Street Journal, foi sequestrado, escrevi um longo artigo no The Independent, no qual suplicava a Bin Laden para que salvasse a sua vida. Pearl e sua esposa cuidaram de mim quando fui golpeado na fronteira afegã, em 2001; ele inclusive me deu o conteúdo de seu livro de contatos. Muito tempo depois me disseram que Bin Laden tinha lido meu artigo com tristeza. Mas Pearl já havia sido assassinado. Ou pelo menos foi isso que ele teria dito.

As obsessões de Bin Laden infestaram a sua família. Uma esposa deixou-o, outras duas parecem ter morrido com ele no ataque estadunidense do domingo. Conheci um de seus filhos, Omar, no Afeganistão, em 1994; estava com seu pai. Era um menino simpático e perguntei se ele era feliz. Sim, me respondeu ele em inglês. Mas no ano passado ele publicou um livro chamado “Living Bin Laden”, no qual, ao descrever como seu pai matou os cães que ele amava em um experimento de guerra química, chamou-o de homem malvado. Neste livro, também recordou nosso encontro e concluiu que devia ter respondido que não era uma criança feliz.

Ao meio dia desta segunda-feira eu já tinha recebido três chamadas telefônicas de árabes, todos seguros de que os estadunidenses mataram um dublê de Bin Laden, do mesmo modo que muitos iraquianos acreditam que os filhos de Saddam Hussein não morreram em 2003 e que o próprio Saddam tampouco foi enforcado. No seu devido tempo, a Al Qaeda nos dirá. Certamente, se todos estamos equivocados e era um dublê, veremos mais um vídeo do verdadeiro Bin Laden...e o presidente Obama perderá a próxima eleição.

Tradução: Katarina Peixoto

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Governo demotucano: São Paulo não é mais o estado mais rico do Brasil




Os quatrocentões paulistas, que gostam de dizer que o estado é a “locomotiva do Brasil”, não poderão mais usar essa expressão. Segundo pesquisa da Fundação Getulio Vargas, depois de mais de 16 anos de gestão demotucana, São Paulo foi ultrapassado por Santa Catarina e Rio de Janeiro na condição de estado que tem a maior renda média. Por sua vez, no governo Lula, o País conseguiu reduzir a pobreza em 50,64%. A pesquisa também mostra que, de 2002 a 2010, os maiores ganhos reais de renda foram em grupos tradicionalmente excluídos. O Limpinho reproduz texto publicado no Portal G1. O editor deveria estar dormindo quando deixou sair uma matéria dessas.

FGV: Taxa de desigualdade no Brasil atinge mínima histórica
Desigualdade é a menor desde que começou a pesquisa, em 1960



A taxa de desigualdade no Brasil caiu à mínima histórica no final de 2010, segundo estudo divulgado pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (CPS/FGV) na terça-feira, dia 3. Em oito anos – de dezembro de 2002 a dezembro de 2010 –, o País conseguiu reduzir a pobreza em 50,64%, de acordo com a pesquisa “Desigualdade de Renda da Década”.


“Em oito anos, no governo Lula, foi feito o que era previsto para 25 anos, de acordo com a Meta do Milênio da Organização das Nações Unidas, que era reduzir a pobreza em 50% de 1990 até 2015”, ressaltou o economista Marcelo Neri, coordenador do CPS/FGV.


A taxa de desigualdade, medida pelo índice de Gini, ficou em 0,5304 em 2010, a menor desde 1960, quando começou a pesquisa. Quanto mais perto de 1, mais desigual é o país. “Os principais motivos para isso foram, principalmente, a educação e, em menor parte, os programas sociais”, explicou Neri.


Entretanto, o economista diz que, quando comparado com outros países, ainda é “estupidamente alto, porém menor do que antes” o nível de desigualdade no Brasil. “Se é uma má notícia que a nossa desigualdade ainda é alta, a boa notícia é que ela deve cair. O que os dados mostram é que a queda continua”, destacou.


Renda dos mais pobres cresceu mais do que dos mais ricos
De acordo com a pesquisa, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PNAD/IBGE), a renda dos 50% mais pobres no Brasil cresceu 52,59%, entre 2001 e 2009, enquanto a renda dos 10% mais ricos do País cresceu 12,8%. Isso significa dizer que a renda da classe baixa teve crescimento de 311% na comparação com os mais abastados.


Marcelo Neri também destacou conclusões da pesquisa que, para ele, foram inesperadas. “Fiquei muito surpreso com os dados”, disse o economista, ao mostrar que, de 2001 a 2009, os analfabetos obtiveram ganhos de 47%, enquanto quem tem nível superior teve queda de 17% na renda. No mesmo período, as pessoas de cor preta ganharam aumentos na renda de 43%, enquanto os brancos tiveram 21% de alta. Já as mulheres tiveram ganho na renda de 38%, contra 16% dos homens. “O que está ‘bombando’ é o mercado da base: empregadas domésticas, trabalhadores da construção civil, agricultores”, ressaltou, em tom informal, o economista.


São Paulo não é o mais rico e Maranhão, o mais pobre
A pesquisa mostrou que os chamados “grotões” brasileiros estão em alta, já que entre 2001 e 2009 os “maiores ganhos reais de renda foram em grupos tradicionalmente excluídos”. Segundo o estudo, Alagoas é, hoje, o estado com a pior renda média per capita do país. E, no mesmo período, o Maranhão, que era o estado mais pobre, teve ganhos na renda da população de 46%.


Já os estados de Santa Catarina e do Rio de Janeiro passaram São Paulo na condição dos que tem a maior renda média. “A migração do Nordeste para o Sudeste diminuiu bastante, com o inchaço das grandes cidades. O campo está se tornando mais atrativo”, observou Neri.


Em 30 anos, Brasil pode estar equiparado aos EUA
O coordenador da pesquisa explicou que o Brasil ainda “vai demorar uns 30 anos para ter um nível de desigualdade parecido com o dos Estados Unidos”, que, segundo Neri, está em 0,42. “Apesar de a economia brasileira não estar crescendo tanto, a renda dos mais pobres cresce em patamares chineses, enquanto a dos mais ricos está estagnada”, comparou Neri.


Entretanto, para o economista, a tarefa agora é mais complicada. “Vamos ter mais dificuldades para erradicar, pois esta terça parte que falta é o núcleo da pobreza no País”, explicou.


Para a próxima década, Marcelo Neri afirma que é preciso melhorar a qualidade da educação, continuar investindo em programas sociais e realizar obras de saneamento básico. “E é preciso fazer mais com menos recursos, pois não podemos aumentar mais ainda a nossa carga tributária”, acrescentou.

“As razões de meu otimismo são proporcionais ao tamanho dos problemas que temo hoje. A escolaridade no Brasil é ridícula, por isso acho que ainda temos muito a avançar”, finalizou.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Rei morto, rei posto.

CartaCapital - http://www.cartacapital.com.br -

Al Qaeda deve continuar sob nova liderança
Posted By Viviane Vaz, de Jerusalém On 2 de maio de 2011 @ 9:48 In Internacional

“A justiça foi feita”, anunciou nesta madrugada em rede de TV o presidente americano Barack Obama. “Os Estados Unidos lideraram uma operação que levou à morte do líder da rede terrorista Al Qaeda”, afirmou. De acordo com Obama, a morte de Osama bin Laden, líder da rede terrorista e principal responsável pelos ataques de 11 de setembro de 2001, foi uma conquista da ação do exército americano em conjunto com o governo do Paquistão. Bin Laden foi morto em 1º de maio por soldados americanos, que o encontraram em uma casa de dois andares em Abottabad, localidade próxima à capital paquistanesa, Islamabad.
Para o professor especialista em Política do Oriente Médio da London School of Economics (LSE), Fawaz Gerges, o anúncio da morte de Bin Laden hoje tem mais significado para Obama do que para a rede terrorista Al Qaeda, uma vez que representa o cumprimento de uma das principais promessas de campanha do presidente americano. Quando assumiu a presidência dos EUA em 2008, Obama determinou à CIA que desse prioridade à missão de capturar ou eliminar Bin Laden. A promessa cumprida é hoje celebrada por milhões de americanos que cercaram a Casa Branca em Washington e que lotaram o “Marco Zero” em Nova Iorque, antigo local das Torres Gêmeas.
Ao mesmo tempo, Gerges avalia que a morte de Bin Laden não representa uma “baixa grave” para a organização terrorista, que continuará sob o comando do número 2, o médico egípcio Ayman Al Zawahri – qualificado por muitos analistas como o “mentor de Bin Laden”. “Eu iria além da destruição da Al Qaeda como uma organização operativa. A ideologia em si mesma da jihad global, de uma jihad transnacional contra o Ocidente como inimigo, tornou-se uma força cambaleante”, disse Gerges em entrevista à rede britânica BBC.
De acordo com Gerges, os movimentos que derrubaram ditadores em países árabes é um reflexo da mudança de pensamento na região. “O que aconteceu no Oriente Médio nos últimos seis meses também afetou negativamente a ideologia da Al Qaeda. Eles (os países árabes) não estão clamando por jihad local ou global, mas por constituição, governo eleito, por eleições, por separação de poderes. Isso revela o vão que existe hoje entre ideologia da global jihad de Bin Laden e as aspirações universais de um número crescente de árabes e muçulmanos”, analisa o professor.
No discurso em rede nacional, Obama também enviou uma mensagem ao mundo muçulmano. “Quero deixar claro, como o fez o presidente George W. Bush, que a Guerra ao Terror não é contra o Islã. A Al-Qaeda é um destruidor em massa de muçulmanos”, frisou o presidente americano.
Israel
Depois de uma triste noite de domingo em que se deu início aos atos de recordação do assassinato de seis milhões de judeus pelos nazistas e da realização de dois minutos de silêncio em homenagem às vítimas do Holocausto nesta manhã de segunda-feira, o governo israelense também emitiu declarações sobre a conquista do governo Obama. “O Estado de Israel se une à alegria do povo americano depois da eliminação de Bin Laden”, destacou um comunicado do gabinete de Netanyahu.
“Esta bem-sucedida operação envia uma mensagem importante de que o terror e a maldade não encontrarão abrigo permanente e finalmente serão destruídos, assim como os nazistas caíram”, afirmou hoje o vice-chanceler israelense, Danny Ayalon.

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terça-feira, 3 de maio de 2011

Fisk, que entrevistou Osama: "tinham de matar o Zé-Ninguém"

Via Tijolaço - Brizola Neto

O jornalista inglês Robert Fisk, que entrevistou Osama Bin Laden por três vezes, escreveu um artigo impressionante sobre o que considera ser a irrelevância política da morte do líder (?) da Al-Qaeda. “Se os Estados Unidos tivessem matado Bin Laden um ano ou dois depois de 11 de Setembro, um pouco da emoção que estão vivendo seria importante. Todos estes punhos no ar, celebrando vitória, são boas imagens, mas não têm muito sentido”, disse Fisk, em uma entrevista.

Como todos os que não mergulham no mundo do espetáculo midiático, Fisk explica porque a prisão de Laden com vida seria um problema e ironiza o “sumiço” de seus restos mortais.

O artigo, na íntegra, está no jornal La Jornada, em espanhol.


“Um zé-ninguém de meia-idade, um político fracassado, ultrapassado pela história, pelos milhões de árabes que exigem liberdade e da democracia no Oriente Médio, morreu no Paquistão, no domingo. E o mundo enlouqueceu. Logo depois de apresentar uma cópia de sua certidão de nascimento, o presidente dos EUA, apareceu no meio da noite para oferecer ao vivo um atestado óbito de Osama Bin Laden, que foi morto em uma cidade chamada em honra de um major do exército velho Império Britânico (Abbotabad, por causa do inglês James Abbott, que a fundou, em 1853). Um único tiro na cabeça, dizem. Mas o segredo sobre o vôo do corpo para o Afeganistão, e o sepultamento igualmente secreto no mar?

A estranha forma em que eles se livraram do corpo-”sem santuários”, por favor , foi quase tão bizarra quanto o homem e sua organização do mal.

Os americanos estavam embriagados de alegria. David Cameron chamou a morte de “um enorme passo adiante”. A Índia a descreveu como “uma vitória histórica”. “Uma vitória retumbante”, cantou primeiro-ministro israelense Netanyahu. Mas depois de 3 000 americanos mortos no 11/9, muitos outros no Oriente Médio, até meio milhão de mortes no Iraque e Afeganistão e 10 anos envolvidos na caçada a Osama bin Laden, rezemos por não haver mais destes “triunfos retumbantes”.

(…)Três vezes eu encontrei este o homem e só me fazer uma pergunta me ocorre fazer agora: como você se sentiu ao olhar como essas revoluções estavam desenvolvendo este ano, sob as bandeiras das nações, ao invés do islã, com cristãos e muçulmanos juntos, com pessoas como a que seus homens recrutariam para a Al Qaeda?

Ele foi o fundador (da Al-Qaeda), mas nunca um guerreiro em batalha. Não houve um computador em sua caverna, nem chamadas para detonar as bombas. Embora os ditadores árabes governassem sem oposição e com o nosso apoio, evitando sempre que lhes foi possível a condenar a política de Washington, só Bin Laden o faziam. Os árabes nunca quiseram espatifar aviões em prédios altos, mas admiravam o homem que disse que eles queriam dizer. Mas agora, cada vez mais, eles podem dizer. Não há necessidade de Bin Laden. Tornou-se um zé-ninguém.

Falando das cavernas, o desaparecimento de Bin Laden lança uma sombra sobre o Paquistão. Durante meses, o presidente Ali Zardari tinha-nos dito que Osama estava vivendo em uma caverna no Afeganistão. Agora vê-se que vivia numa mansão no Paquistão. “Traído? Claro que sim. Por que os serviços militares e de inteligência do Paquistão? É muito provável que os dois.O Paquistão sabia onde ele estava.

Naturalmente, há uma pergunta óbvia sem resposta: não se poderia ter capturado Bin Laden? Será que a CIA ou os Navy Seals ou as forças especiais ou qualquer outro grupo dos EUA que o matou não podia jogar uma rede sobre o tigre? “Justiça!”, proclamou Barack Obama, sobre sua morte. Nos velhos tempos “justiça” significava devido processo legal, uma audiência judicial, um advogado, um julgamento. Como os filhos de Saddam Hussein, Bin Laden foi morto a tiros. Claro, ele nunca quis ser pego vivo … e havia sangue a rodo no quarto onde ele morreu.

Mas um julgamento teria incomodado muitas pessoas mais além de Bin Laden. Ele poderia falar sobre seus contatos com a CIA durante a ocupação soviética do Afeganistão ou nas suas acolhedoras reuniões em Islamabad com o príncipe Turki, chefe dos serviços secretos sauditas. Assim como Saddam Hussein, que foi julgado pelo assassinato de só 153 pessoas, e não pelos milhares de curdos mortos por gás, foi enforcado antes que ele tivesse chance de dizer-nos sobre os componentes dos gases provenientes dos Estados Unidos, sobre sua amizade com Donald Rumsfeld ou assistência militar que recebeu de Washington quando ele invadiu o Irã em 1980.(…)

Ao meio-dia de segunda-feira eu já tinha recebido três telefonemas de árabes, todos certos de que os americanos mataram um dublê de Bin Laden, como muitos iraquianos acreditam que os filhos de Saddam não morreram em 2003 e o próprio Saddam também não foi enforcado. Com o tempo, a Al-Qaeda nos dirá. Claro, se estamos todos errados e foi um dublê, nós vamos ver mais vídeo do verdadeiro Bin Laden… e o presidente Barack Obama vai perder a próxima eleição.