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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

"A imprensa comercial acusa e sentencia, difama e calunia, dissimula e desinforma e mente..."

O PARTIDO DA IMPRENSA

Do Brasil247 - DAVIS SENA FILHO - 9 DE NOVEMBRO DE 2012

A imprensa comercial acusa e sentencia, difama e calunia, dissimula e desinforma e mente se preciso for e se julgar que determinado governante não vai ler por sua cartilha

“Obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste País, já que a oposição está profundamente fragilizada”. (Judith Brito, presidenta da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e executiva do Grupo Folha de São Paulo, em 18 de março de 2010).

“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil quanto ela mesma”. (Joseph Pulitzer – 1847/1911)

Há 30 anos lido com o jornalismo — a partir de 1981. Formei-me na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em meados da década de 1980. Naquele tempo eu via a imprensa, a chamada “grande” imprensa como um instrumento de proteção da sociedade, além de considerá-la, apesar de pertencer à iniciativa privada e comercial, entidade democrática disposta a defender as liberdades de pensamento, de expressão, com o propósito de, por exemplo, apoiar ações que efetivassem a distribuição de renda, de terras, enfim, das riquezas produzidas pelos trabalhadores e acumuladas pelos empresários deste imenso País injusto. Eu era jovem, inexperiente e, além disso, no País não existia liberdade democrática, havia a censura, as pessoas não falavam de política no dia a dia, o que dificultava ainda mais perceber os reais interesses da imprensa empresarial. Como me formei na metade da década de 1980, cujo presidente da República era o general João Figueiredo, via a imprensa como um segmento que lutava em favor de uma sociedade que se tornasse justa, democrática e livre, processo este que somente acontece por intermédio da implementação constante de justiça social, por meio de políticas públicas desenvolvimentistas e distributivistas.

Naquele tempo, vivíamos em um regime de força, que teve seu auge nos idos de 1967 a 1977, a imprensa, recém-saída da censura, que “terminou”, definitivamente, em 1978, era vista por mim, jovem jornalista, como um instrumento de resistência aos que transformaram a República brasileira em uma ditadura militar, com a aquiescência e o apoio financeiro e logístico de influentes segmentos econômicos da sociedade civil, que viram na ascensão dos militares ao poder uma forma também de aumentar seus lucros, sem, no entanto, serem alvos de quaisquer questionamentos, já que havia a censura e a oposição partidária à ditadura se encontrava em um momento de perseguição política e sem voz ativa para ser ouvida, inclusive pela grande imprensa que, por ser comercial, bem como o braço ideológico das elites econômicas brasileiras, aliou-se aos novos donos do poder.

O jornalista minimamente alfabetizado, experiente e informado, independente de sua formação cultural, política e ideológica, independente de sua influência profissional e de seu contracheque, sabe (ou finge não saber) que os proprietários da imprensa privada são megaempresários, inquilinos do pico da pirâmide social mundial e pontas-de-lança dos interesses do capital. A imprensa burguesa censura a si mesma, quando considera que os interesses empresariais estão a ser contrariados. O faz de forma rotineira, ordinária, e expurga de seus quadros aqueles que não se unem ao pensamento único do Partido da Imprensa, que é o de disseminar, ou seja, propagar, aos quatro cantos, que não há salvação fora do mercado de ações, dos jogos bancários, da especulação imobiliária e da pasteurização das idéias, geralmente difundidas pelos doutores, mestres e professores das universidades e dos órgãos de supremacia e de espoliação internacional, como o BID, o Bird, o FED, a ONU, a OEA, a OTAN, o FMI, a OMC e a OMS.

Paralelamente, o Partido da Imprensa elege como adversários aqueles que contestam o sistema do capital como ele o é, ou seja, concentrador de renda, e exigem que ele se democratize no sentido de ele diminuir as diferenças entre as classes sociais e com isso efetivar uma equiparação, uma equanimidade entre os indivíduos que compõem o tecido social das nações que integram o planeta e são vítimas da geopolítica, que na verdade é a principal ferramenta do apartheid social e econômico entre os países. Os inimigos da imprensa burguesa geralmente são os políticos que têm uma visão soberana em relação ao país que administram e acreditam em idéias e ideais que qualifiquem os homens como iguais. São políticos que elaboram e adotam programas distributivistas. São políticos nacionalistas, como os presidentes estadunidenses, porém sem ser xenófobos, e que lutam pelo desenvolvimento do país, a fim de conquistar tecnologias e pesquisas científicas próprias, ter o controle das diferentes energias, além de acreditar em uma diplomacia não alinhada aos países hegemônicos, com o objetivo de efetivar uma relação de igual para igual e não subordinada e servil, como muitos jornalistas do Partido da Imprensa, a soldo de seus patrões, de forma inadvertida e irresponsável apregoam e desejam.

A imprensa comercial acusa e sentencia, difama e calunia, dissimula e desinforma e mente se preciso for e se julgar que determinado governante não vai ler por sua cartilha, que é a mesma dos grandes conglomerados e trustes internacionais. Porque, como disse anteriormente, a imprensa é ponta-de-lança dos interesses do sistema capitalista excludente, além de ser seu braço ideológico. Ela é a vitrine desse modelo expropriador, useiro e vezeiro em propiciar o infortúnio e a derrota daqueles que ousaram um dia colocar em prática e até mesmo somente defender a tese, por exemplo, de um Brasil forte, independente e soberano. Caro leitor, o que concorda ou não comigo, a imprensa é necessária e tem de ter liberdade para informar, mas não deve e não pode tomar partidos, defender grupos e tentar pautar as instituições republicanas. Ser jornalista não é sinônimo de ser intelectual, dono e juiz da verdade, infalível ou senhor do poder. Ser jornalista é ouvir e compreender, se for possível, o pensamento, as idéias, os ideais, as opiniões, as teses, os projetos, os programas, os propósitos, as atitudes, as ações e até mesmo as ideologias dos atores sociais, políticos e econômicos.

O jornalista é a ponte que une o ator social e a informação à população, ao povo, apenas isso e nada mais. Se o jornalista quer pautar a sociedade e as suas instituições ele já tomou partido, e, como o termo explicita, partidas serão suas opiniões. Portanto, o mais correto é se filiar a um partido político, conquanto que não seja, todavia, o Partido da Imprensa, que não disputa voto e, por ser ousado e não se olhar no espelho, quer fazer da República Federativa do Brasil seu feudo, conforme sua vontade, fato que foi provado, reiteradamente, nas questões relativas à luta pela terra por parte do MST, nas questões concernentes às reivindicações trabalhistas e salariais dos trabalhadores dos setores público e privado, nas questões referentes às eleições para presidente, governadores e prefeitos e nas questões tangentes às crises políticas que derrubaram presidentes como Getúlio Vargas e João Goulart, bem como na questão que influenciou na derrota do candidato Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais de 1989, bem como na tentativa de golpe contra o presidente Lula em 2005, além de ter perseguido, incessantemente, políticos da envergadura de Juscelino Kubitschek, Leonel Brizola, Luís Carlos Prestes, Miguel Arraes e até mesmo Ulysses Guimarães, muito menos palatável para o Partido da Imprensa do que Tancredo Neves.

O Partido da Imprensa combate tudo aquilo que possa dividir as riquezas deste País, no que tange à redistribuição de renda. Quase todos os programas sociais e econômicos apresentados no Brasil não tiveram o apoio da imprensa hegemônica. Além do mais, a imprensa combateu e combate ferozmente as políticas públicas independentes e desenvolvimentistas executadas por Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, João Goulart, Luiz Inácio Lula da Silva e agora, de maneira dura, o governo da presidenta Dilma Rousseff. E isto é só o começo. O Partido da Imprensa vai recrudescer seus ataques a Dilma quando ele desistir, totalmente, de fingir apoio moderadíssimo à governante, para depois, evidentemente, voltar à carga total no que é relativo aos seus ataques ao Governo, ainda mais quando ficar claro quem vai ser o candidato da direita nas eleições para presidente da República em 2014.

Para se ter uma idéia da desfaçatez e da insensatez do Partido da Imprensa, ele combateu a criação da Petrobras, da Vale do Rio Doce, da CSN e das leis trabalhistas — a CLT. Em compensação, apoiou as tentativas de golpe em 1932, em 1938 e em 1954/1955, além de participar dos golpes militares de 1945 (“golpe branco”) e de 1964. A imprensa golpista sempre se aliou aos partidos conservadores, notadamente com a UDN de Carlos Lacerda, Eduardo Gomes e Juarez Távora, partido moralista e elitista, que recebia o apoio dos empresários e de parte da classe média de perfil conservador. Posteriormente, a UDN mudou a sigla e passou a ser conhecida como Arena no governo militar, depois PDS para, anos depois, virar PFL que, em 2007, finalmente, passou a se chamar Democratas — o DEM.

Como a direita brasileira tem no máximo 30% dos votos, tanto que sempre andou a reboque de partidos de centro e de centro esquerda, o DEM (PFL), por exemplo, aliou-se, em 1989, a Fernando Collor e a seu minúsculo PRN. Em 1994, teve de se aliar ao PSDB para chegar ao poder, com seu vice-presidente Marco Maciel, o que foi ratificado nas eleições de 1998. No período Lula, nos anos 2000, a agremiação conservadora continuou como vagão dos tucanos. Antes, em 1960, o DEM, que é a UDN, apoiou Jânio Quadros, que foi eleito presidente pelo pequeno PDC. Todavia, os udenistas não confiavam em Jânio, considerado um político independente, porque transitava pelos espaços da direita e da esquerda, o que não agradava os direitistas, que desde 1930 sonhavam assumir novamente o poder, como nos tempos da República Café com Leite. Jânio, tal qual o Collor, não “dialogava” com o Congresso.

Como se percebe, o DEM nunca teve força política para chegar à Presidência da República como partido hegemônico. Enfim, chegou ao poder em 1964, por meio de um golpe militar que derrubou o presidente trabalhista João Goulart, eleito constitucionalmente pelo voto direto. Naquele tempo o vice-presidente era eleito separadamente. Não existia a chapa vinculada. Todos esses fatos tiveram o apoio do Partido da Imprensa, que é empresarial e apoia e sempre apoiou políticas econômicas artificiais como o é o neoliberalismo, que fracassou e hoje até o FMI, guardião desse fracasso, avisa aos maus navegantes, como ele, que vai modificar seu processo de ajuda, de coordenação e de fiscalização das políticas públicas, econômicas e financeiras receitado aos países pobres e em desenvolvimento.

No Brasil, na América Latina, na Ásia e na África as receitas econômicas e financeiras do Bird e do FMI causaram problemas sociais tão graves que mesmo os governantes neoliberais dos países dessas regiões perceberam que não dava para continuar o processo de espoliação desses povos, sem que seus governos caíssem ou fossem derrubados. Mesmo assim, os conservadores, os direitistas do mundo empresarial e político, no Brasil leia-se DEM, Fenaban, Fiesp, agronegócios e, principalmente, Partido da Imprensa, continuaram a apregoar o que não deu certo, o indefensável e o que causou dor aos mais pobres, aos mais fracos e aos que não podem se defender.

O Partido da Imprensa, com seus profissionais bem pagos e com a cabeça feita por Wall Street e pelo Consenso de Washington de 1989, prosseguiram, de forma ridícula, sem ao menos ponderar suas palavras levianas, a apregoar um modelo econômico verdadeiramente contrário aos interesses da Nação até que, por intermédio de eleições, os defensores dessa política econômica burra e nefasta foram afastados do poder, tanto no Brasil quanto em muitos outros países. Não se compreende, até hoje, o que leva algumas elites a fazer gol contra. Mas se compreende que, ao contrário do que afirmam os gurus do capitalismo de mercado que estabelecem regras somente para os mais pobres e os mais fracos e dizem se preocupar em assegurar a efetivação de um estado de bem-estar social, que dignifique a pessoa humana, sabemos que o que importa à grande imprensa e a direita política do planeta é perpetuar os privilégios daqueles que fazem parte de sua classe social — os ricos e os muito ricos.

Há uma espécie de seres humanos que dá pena. Acha que riqueza é genética, é biologia. Quando na verdade a riqueza é um processo que envolve milhões, quiçá bilhões de pessoas que a produz. Não é uma questão biológica. É uma questão econômica e financeira que precisa, deve e pode ser calculada e equacionada no sentido de distribuí-la. Se dinheiro e bens materiais fossem parte de nossa biologia nasceriam com a gente e seriam conosco levados ao caixão. Não consigo entender como alguns jornalistas que se alimentaram adequadamente, que estudaram em boas escolas, que têm capacidade de discernir se tornaram tão pusilânimes, cínicos, dissimulados, covardes e mentirosos. Eles são um contra-senso em toda sua essência e a burrice em toda sua plenitude. Somente alguns advogados atingem a tanta incongruência.

A imprensa é parcial. Sua voz e seus canais de comunicação pertencem aos que controlam e dominam o mercado de capitais e os meios de produção, pelo simples fato de a imprensa ser o próprio, o espelho que reflete a imagem do sistema. Ela traduz os valores e os princípios do modelo econômico hegemônico. Ela é o principal e o mais importante tentáculo do sistema capitalista. Ela é a sua alma e a sua voz. Não há poder pleno sem o apoio da imprensa, para o bem ou para o mal. Seja qual for o poder, a imprensa não abre mão de manter os privilégios do segmento empresarial. Ela até compõe, mas ressalta seus interesses e resguarda os privilégios. Não há hegemonia de uma classe social sobre as outras sem o controle dos meios de comunicação. E é este processo, draconiano, que acontece no Brasil e na América Latina.

O acesso da maioria das populações ao crescimento social e ao desenvolvimento econômico acontece a conta-gotas, milenarmente. No caso do Brasil, secularmente. É como acontece em jogos de futebol, quando o time que está a ganhar passa tocar a bola, à espera de o tempo passar, à espera de o jogo terminar. Os barões da imprensa, como patrões seculares, querem o fim do jogo e para isso eles precisam pautar os poderes constituídos e, inclusive, não raramente, questionar cláusulas pétreas da Constituição, como, por exemplo, os capítulos voltados ao trabalho e aos meios de comunicação. Meia dúzia de famílias quer o controle total e irrestrito dos meios de comunicação. Meia dúzia de famílias brasileiras, ao representar o grande empresariado nacional e internacional, quer a flexibilização das leis trabalhistas, constituídas pelo estadista Getúlio Vargas, que se matou em 1954 para não ser derrubado, mais uma vez, pela UDN, pelos militares, pelo empresariado e pela imprensa. Getúlio teve de se matar para adiar o golpe militar por dez anos, o que ocorreu em 1964.

Para isso, os barões da imprensa contratam jornalistas de confiança. Os jornais criticam os cargos de confiança no âmbito governamental, mas não criticam seus cargos de confiança, pagos a soldos altos, para que certos profissionais façam o papel de defensores do status quo, do establishment, razão pela qual talvez tenhamos uma das elites mais cruéis e alienadas do mundo, totalmente divorciada dos interesses do povo brasileiro, há mais de cinco séculos. Tudo o que é feito em prol do povo, os homens e as mulheres de imprensa, os que ocupam cargos de mando, chamam de populismo. Mas tiveram a insensatez e a ignorância política em defender o neoliberalismo, que fracassou de forma inapelável e retumbante. Até mesmo jornalistas considerados experientes como o Renato Machado e a Renata Vasconcellos, do “Bom Dia Brasil” da TV Globo, saudaram, da forma mais imprudente e capciosa possível, o golpe sofrido, em abril de 2002, pelo presidente constitucional da Venezuela, Hugo Chávez, que foi, inclusive, absurdamente seqüestrado, com o apoio da CIA do governo de George Walker Bush, que se antodenominava o senhor da guerra.

Meu comentário não visa constranger o Renato Machado, até porque não o conheço. Cito apenas um fato real, de conhecimento público, notório e que ficou na memória e na retina de muitos brasileiros, porque a saudação ao golpe foi incrivelmente surreal, um despropósito. Renato Machado, de perfil político conservador igual a tantos outros jornalistas, apenas, talvez até inconscientemente, comemorou a queda, mesmo através da violência, de um homem constituído presidente, pois eleito pela vontade do povo. Machado simplesmente reflete o desprezo do Partido da Imprensa em relação aos interesses da sociedade, em relação às determinações e aos desejos da sociedade civil. Não há nenhuma surpresa. O Partido da Imprensa age assim, mostra-se assim, só que, muitas vezes, inversamente ao Machado, apresenta-se de forma dissimulada.

Renato Machado no dia seguinte à sua comemoração em referência ao golpe contra o presidente venezuelano apareceu visivelmente constrangido. Acho que ele não tinha dimensionado sua atitude. Sua imagem, pálida e assustada, como se tivesse levado um grande susto ou uma bronca deveria ser gravada pelas pessoas alheias ao jornal matutino da TV Globo, com a finalidade de ser levada às escolas de comunicação para servir de exemplo aos futuros jornalistas como NÃO se deve proceder ou conduzir sua profissão. Foi realmente lamentável. Mas não foi uma surpresa. O Partido da Imprensa trabalha assim. Saímos da ditadura militar para a ditadura da imprensa e do pensamento único. Igualmente os meios de comunicação hegemônicos apoiaram o golpe de estado em Honduras, sem vacilar, inclusive criticaram, com veemência, por intermédio de suas manchetes, de seus colunistas e comentaristas, a decisão do Governo brasileiro de receber em sua embaixada o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya. Empresários e militares hondurenhos efetivaram o golpe, com apoio do governo dos Estados Unidos. Depois apoiaram o golpe no Paraguai e a queda do presidente eleito Fernando Lugo. O Paraguai pagou caro. Está fora das decisões do Mercosul e da Unasul até que sejam efetivadas novas eleições no país guarani. O Partido da Imprensa aqui no Brasil ficou entusiasmado. Desconfio que até hoje os próceres da imprensa e seus empregados de confiança estão a brindar o golpe de estado. Devem sonhar, sobretudo, com o ano de 1964. Saudosamente...

Dentre os muitos erros perpetrados pelos militares, um dos maiores foi a censura aos meios de comunicação. E por quê? Porque hoje, no regime democrático, a imprensa se recusa a ser regulamentada como acontece com outros setores da sociedade e, por que não, do mercado. Ela usa como argumento que criar, por exemplo, o Conselho Federal de Jornalismo é tentar censurar a imprensa, o que não é verdade. Criar o Conselho é regulamentar os meios de comunicação, que não podem deixar de ser fiscalizados, como o são os juízes, os médicos, os advogados, os professores, os arquitetos e engenheiros, os economistas, os contadores, os políticos etc. etc., por intermédio de seus órgãos de classe profissional.

Para evitar a criação do Conselho Federal de Jornalismo e de uma política que funcione como marco regulatório para os meios de comunicação, o Partido da Imprensa usa como argumento, há muito tempo surrado, que tentar regulamentar a imprensa é censurá-la, como ocorreu na ditadura militar. A verdade é que os barões da imprensa e seus jornalistas de confiança não querem a democratização dos meios de comunicação, porque não querem responder, como os outros profissionais, pelos seus erros, muitas vezes exemplificados em calúnias, difamações, omissões, distorções e manipulações das informações noticiosas, além da clara intromissão no processo político brasileiro, ao tomar partido de determinado candidato, geralmente de perfil conservador e elitista.

Além disso, extinguiram a Lei de Imprensa, sem antes, no entanto, criarem instrumentos que a regulamente, como, por exemplo, a Ley dos Medios aprovada na Argentina. Absurdo dos absurdos é deixar uma imprensa, uma mídia de passado golpista e mercantil sem um marco regulatório. A presidenta Dilma não pode e não deve deixar de regulamentar e criar regras para o setor dos meios de comunicação de perfil empresarial e comprometido com os interesses geopolíticos dos Estados Unidos e com o grande empresariado nacional e internacional. Uma presidenta trabalhista como a Dilma jamais deveria vacilar quanto à elaboração e aprovação de uma Ley dos Medios para o Brasil e o seu povo trabalhador. Seria uma séria imprudência. Lembremo-nos de Getúlio Vargas, João Goulart, Leonel Brizola e do presidente Lula, todos perseguidos pela imprensa privada, de forma dura e desumana. Dilma sabe disso. Ela fez carreira política no berço do trabalhismo brasileiro, que é o Estado do Rio Grande do Sul, e viu o presidente Lula comer o pão que o diabo amassou durante oito anos.

Não é necessário ser um especialista em “assuntos de imprensa” para perceber que ela é um desastre em relação aos interesses da sociedade. Ditatorial, raivosa e vaidosa não mede conseqüências para fazer do processo político brasileiro uma novela de má qualidade textual, cujo objetivo é somente a manchete, chamariz comercial para a imprensa vender e ganhar muito dinheiro, mesmo se for com o linchamento moral de terceiros, muitos deles, depois comprovado, sem culpa no cartório. Sua atuação é incompetente, porque, sistematicamente, não tem ouvido nenhuma das partes implicadas ou envolvidas em quaisquer fatos, mas sim ouvido a si mesma, por meio de suas deduções e de seu raciocínio ardiloso, intelectualmente desonesto, que visam confundir o público e assim garantir seus interesses.

Por tudo isso, o Partido da Imprensa é contra qualquer criação de órgão que possa acompanhar seus passos, como o Conselho Federal de Jornalismo e o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3). Além do mais, os barões da imprensa se recusaram a participar da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizada em dezembro de 2009, que estabelece novo modelo para o setor, que atualmente é um monopólio de meia dúzia de famílias, que combatem os avanços sociais da sociedade brasileira. O documento elaborado no evento vai ser analisado e avaliado pelos poderes constituídos, para depois se transformar ou não em lei. Os empresários proprietários da imprensa e da mídia comercial não querem debater e negociar nada. Querem que as coisas fiquem como estão, o que não será possível, ainda mais que Dilma Rousseff venceu as eleições para presidente em 2010. Evidentemente que alguma coisa vai mudar.

A arrogância e a prepotência de meia dúzia de famílias que controlam os meios de comunicação no Brasil não favorecem a democratização da imprensa, o que impede que ela, de fato, trabalhe em benefício do desenvolvimento social do povo brasileiro, em vez de ficar a distorcer realidades ou criar fatos, muitos deles sem fundamento, mas, contudo, propositais, pois a finalidade é confundir a sociedade e, consequentemente, proteger ou concretizar seus interesses e do grande empresariado, geralmente financeiros e econômicos. Essas atitudes, sobremaneira, prejudicam as atividades daqueles que são incumbidos pelo povo para administrar os três poderes.

A imprensa quer falar pelo povo e representá-lo, mas não disputa eleições e não concorre a cargos públicos. Ela não tem voto. A imprensa é tão arrogante e ignorante que confunde opinião pública com opinião publicada. A imprensa publica e opina, por meio de matérias combinadas, de editoriais, de articulistas e de colunistas. Por isso, sua opinião é publicada. Ela paga a profissionais para publicar suas opiniões sobre determinado assunto. Por sua vez, a opinião pública é feita, é realizada e é concretizada por intermédio do voto. Portanto, o voto é a opinião pública. Palavra e opinião de jornalista ou de quaisquer outras pessoas que atuam em outros segmentos é opinião publicada. Então, vamos ver se a imprensa entendeu: 1) jornalista = opinião publicada, que, por sinal, tem valor. 2) povo = opinião pública = o voto, que, por sinal, tem muito mais valor. É isso aí.

Mino Carta: "...Veja e seu diretor, Policarpo Jr., uma revista e um profissional que desonram o jornalismo."

O “mensalão” tucano

Mino Carta - Carta Capital

A mídia nativa entende que o processo do “mensalão” petista provou finalmente que a Justiça brasileira tarda, mas não falha. Tarda, sim, e a tal ponto que conseguiu antecipar o julgamento de José Dirceu e companhia a um escândalo bem anterior e de complexidade e gravidade bastante maiores. Falemos então daquilo que poderíamos definir genericamente como “mensalão” tucano. Trata-se de um compromisso de CartaCapital insistir para que, se for verdadeira a inauguração de um tempo novo e justo, também o pássaro incapaz de voar compareça ao banco dos réus.


A privataria. Não adianta denunciar os graúdos: a mídia nativa cuida de acobertá-los

Réu mais esperto, matreiro, duradouro. A tigrada atuou impune por uma temporada apinhada de oportunidades excelentes. Quem quiser puxar pela memória em uma sociedade deliberadamente desmemoriada, pode desatar o entrecho a partir do propósito exposto por Serjão Motta de assegurar o poder ao tucanato por 20 anos. Pelo menos. Cabem com folga no enredo desde a compra dos votos para a reeleição de Fernando Henrique Cardoso, até a fase das grandes privatizações na segunda metade da década de 90, bem como a fraude do Banestado, desenrolada entre 1996 e 2002.

Um best seller intitulado A Privataria Tucanaexpõe em detalhes, e com provas irrefutáveis, o processo criminoso da desestatização da telefonia e da energia elétrica. Letra morta o livro, publicado em 2011, e sem resultado a denúncia, feita muito antes, por CartaCapital, edição de 25 de novembro de 1998. Tivemos acesso então a grampos executados no BNDES, e logo nas capas estampávamos as frases de alguns envolvidos no episódio. Um exemplo apenas. Dizia Luiz Carlos Mendonça de Barros, presidente do banco, para André Lara Rezende: “Temos de fazer os italianos na marra, que estão com o Opportunity. Fala pro Pio (Borges) que vamos fechar daquele jeito que só nós sabemos fazer”.

Afirmavam os protagonistas do episódio que, caso fosse preciso para alcançar o resultado desejado, valeria usar “a bomba atômica”, ou seja, FHC, transformado em arma letal. Veja eÉpoca foram o antídoto à nossa capa, divulgaram uma versão, editada no Planalto e bondosamente fornecida pelo ministro José Serra e pelo secretário da Presidência Eduardo Jorge. O arco-da-velha ficou rubro de vergonha, aposentadas as demais cores das quais costuma se servir.

Ah, o Opportunity de Daniel Dantas, sempre ele, onipresente, generoso na disposição de financiar a todos, sem contar a de enganar os tais italianos. Como não observar o perene envolvimento desse monumental vilão tão premiado por inúmeros privilégios? Várias perguntas temperam o guisado. Por que nunca foi aberto pelo mesmo Supremo que agora louvamos o disco rígido do Opportunity sequestrado pela PF por ocasião da Operação Chacal? Por que adernou miseravelmente a Operação Satiagraha? E por que Romeu Tuma Jr. saiu da Secretaria do Ministério da Justiça na gestão de Tarso Genro? Tuma saberia demais? Nunca esquecerei uma frase que ouvi de Paulo Lacerda, quando diretor da PF, fim de 2005: “Se abrirem o disco rígido do Opportunity, a República acaba”. Qual República? A do Brasil, da nação brasileira? Ou de uma minoria dita impropriamente elite?

Daniel Dantas é poliédrico, polivalente, universal. E eis que está por trás de Marcos Valério, personagem central de dois “mensalões”. Nesta edição, Leandro Fortes tece a reportagem de capa em torno de Valério, figura que nem Hollywood conseguiria excogitar para um policial noir. Sua característica principal é a de se prestar a qualquer jogo desde que garanta retorno condizente. Vocação de sicário qualificado, servo de amos eventualmente díspares, Arlequim feroz pronto à pirueta mais sinistra. Não se surpreendam os leitores se a mídia nativa ainda lhe proporcionar um papel a favor da intriga falaciosa, da armação funesta, para o mal do País.

Pois é, hora do dilema. Ou há uma mudança positiva em andamento ou tudo não passa de palavras, palavras, palavras. Ao vento. É hora da Justiça? Prove-se, de direito e de fato. E me permito perguntar, in extremis: como vai acabar a CPI do Cachoeira? E qual será o destino de quem se mancomunou com o contraventor a fim de executar tarefas pretensamente jornalísticas, como a Veja e seu diretor da sucursal de Brasília, Policarpo Jr., uma revista e um profissional que desonram o jornalismo.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Os pitacos do Brickmann na cobertura jornalística recente.

Do Observatório da Imprensa 

ARTE DA REPORTAGEM

Onde a notícia está
Por Carlos Brickmann em 29/10/2012 na edição 718

Sabe os índios guaranis-caiuás que vivem na aldeia de Puelito Kue, e que iam se suicidar coletivamente para protestar contra a maldade do homem branco?

Pois é, não é bem assim. Os guaranis-caiuás estão insatisfeitos com a decisão da Justiça, que determinou sua saída das terras que ocupam. Se tentarem desalojá-los à força, diz o chefe da aldeia, pretendem defender-se até a morte. Os fatos são esses; a história do suicídio coletivo, que provocou tamanha onda de solidariedade, simplesmente não existe.

Como é que sabemos disso? Pela maneira mais simples: em vez de pegar o telefone e ouvir ativistas de ONGs internacionais, em vez de entrar no Facebook para acompanhar a reação dos internautas, em vez de ouvir professores e especialistas, o repórter Fernando Gabeira foi à aldeia ouvir os próprios índios. E eles lhe contaram a história – como contariam a outro repórter que fosse procurá-los para obter informações em primeira mão, em vez de ouvir apenas os ongueiros. Dá trabalho: Gabeira teve de percorrer 250 km em estrada de terra, atravessar a nado o rio Iowi (a empresa que disputava a propriedade com os índios, e ganhou na Justiça, bloqueou todas as pontes), dar um jeito de não molhar a câmera; depois, nadar de volta sem molhar a câmera e enfrentar 250 km de estrada de terra até Dourados, a cidade mais próxima. O pessoal que ouviu só os ongueiros nem saiu do ar condicionado das redações. Muito mais confortável, embora tenha rendido informações erradas a quem pagou caro por elas, julgando-as confiáveis.

Lembra quando reportagem envolvia ir ao local, ver com os próprios olhos, ouvir os vários lados, pesquisar o assunto? Pois é – e isso é o que está faltando. Sem isso, uma declaração de um líder dos índios a respeito de sua disposição de resistir a eventuais ataques passa a ser interpretada como decisão de suicídio coletivo.

Mas quem está preocupado com o consumidor de informação?

O bom jogo
Na verdade, há quem esteja preocupado com o consumidor de informação. O repórter Fernando Gabeira, por exemplo; e Fernando Mitre, diretor de Jornalismo da Rede Bandeirantes, que garante a Gabeira condições para trabalhar.

Menos um
Ethevaldo Siqueira, o excelente jornalista que inaugurou a cobertura de informática e telecomunicações no país, acaba de deixar O Estado de S. Paulo, depois de 45 anos de trabalho. Não, não se aposenta, nem poderia: continua sendo uma fonte essencial para que nós, leigos, saibamos o que está acontecendo no mundo da inovação eletrônica. Ethevaldo está em seu blog, está em todos os lugares onde estava, menos no Estadão. Fará falta.

Colírio

Jornalista sempre protestou contra a impunidade de ricos e poderosos. A frase segundo a qual só são presos os pobres, pretos e prostitutas aparece pelo menos uma vez por dia nos meios de comunicação. Pois bem: o Supremo Tribunal Federal condenou algumas pessoas poderosas, incluindo uma banqueira, líderes partidários, ex-ministros, e aí cai o mundo, acusando os juízes nomeados pelo próprio governo de conspirar contra este mesmo governo.

Estão os ministros certos ou errados? Este colunista não tem a menor ideia: não entende de Direito, não leu as 50 mil páginas do processo. E não viu nenhum órgão de imprensa investir pesadamente nisso, com juristas de peso analisando o processo e capacitando os repórteres a traduzir ao público o que estava acontecendo, de maneira a que o consumidor de informação tivesse condições de analisar o caso. Do jeito que foi feita a cobertura, só restou a torcida: os adeptos de um lado estavam dispostos a absolver todos os acusados de todas as acusações, os adeptos de outro não apenas queriam condenar a todos, por tudo, como impor-lhes sentenças fantasticamente altas, muito maiores que as de crimes como homicídio, e vê-los marchar algemados para trás das grades, se possível com uniforme de presidiários e cabeça raspada.

Uma cobertura assim seria muito cara. Mas daria a quem a fizesse um gigantesco diferencial sobre os concorrentes.

Cronometristas
O mais curioso é que boa parte dos que protestavam contra a impunidade dos poderosos reclama agora do tempo que a TV dá ao julgamento do mensalão, que julgam excessivo. Gente, um julgamento do Supremo que envolve ex-ministros, uma banqueira, um ex-presidente de partido, dois presidentes de partido, um ex-tesoureiro de partido, ao mesmo tempo em que ocorrem importantes disputas municipais, e que ainda por cima tem brigas constantes entre os meritíssimos, que é que queriam? Trinta segundos, como um comercial, sem prorrogação?

A cadeia como ela é
Fala-se em mandar os condenados do mensalão para a prisão, cumprindo penas em regime fechado. Este colunista é contra (acha que cadeia, por uma série de fatores, inclusive econômicos, deveria ser reservada a criminosos violentos), mas lei é lei. Entretanto, mais uma vez, falta reportagem. Não é simples, não é isento de riscos, mas é preciso contar como é uma prisão por dentro – o que inclui o domínio absoluto dos estabelecimentos penais por facções criminosas organizadas, digam o que quiserem as autoridades.

Pessoas confiáveis que conhecem prisões informam que a violência sexual, a “carne nova”, as “mulherzinhas”, isso já é coisa inocente. A brutalidade é muito maior; e é usada para fazer com que a família dos presos seja obrigada a obedecer às ordens dos chefes do crime. Isso vale desde a comida que é levada para os presídios pelos visitantes até produtos proibidos; e explica como é que os celulares funcionam nas celas sem necessidade de recarregar baterias.

Verdade ou lenda? Tudo leva este colunista a crer que seja verdade. Mas é uma dúvida que só poderá ser esclarecida quando a imprensa investir no assunto. Ouvir autoridades é perder tempo – pois não foram as autoridades da época que desmentiram formalmente as informações de que o crime se organizava nos presídios?

Sabendo-se direitinho como é um presídio por dentro, a opinião pública terá condições muito melhores de definir se a lei deve continuar como está – ou seja, mantendo a pena de prisão como a principal punição dos criminosos condenados – ou deve mudar.

Posição correta
Não confunda preso político com político preso.

A primeira batalha
A Associação Nacional dos Jornais (ANJ), que reúne, entre outros, os maiores jornais do país, rompeu com o Google News: não permite mais que suas manchetes e as linhas iniciais de seus textos sejam ali publicadas sem pagamento.

O Google News alega que não é justo pagar pelo uso das manchetes, já que com isso leva mais público aos jornais – em sua linguagem, “envia a seus sites um grande número de usuários”. Para a ANJ, o Google News não tem grande impacto no número de leitores dos sites – ao contrário, pode fazer com que muitos internautas se satisfaçam com as manchetes e as primeiras linhas dos textos e desistam de procurar a fonte.

É uma iniciativa pioneira: os jornais brasileiros estão entre os primeiros do mundo a se afastar do Google News. Para o público, é ruim: reduz a facilidade de buscar informação. Pode ser o início de uma nova fase da internet, de colaboração entre produtores e buscadores de conteúdo. E pode também marcar uma nova fase da batalha para tornar a internet grátis uma coisa do passado.

Brincadeira celular
Toda a imprensa divulgou: quem ligasse para um certo número, conforme a operadora de seu telefone celular, e pedisse por SMS para não receber mais mensagens de propaganda da operadora, teria de ser obrigatoriamente atendido.

Ninguém na imprensa divulgou: as operadoras receberam o pedido e continuaram a mandar aquela propaganda que o cliente não quer receber. Este colunista, por exemplo, mandou o torpedo para o número previsto e mesmo assim recebeu da TIM um anúncio a respeito de um tal plano Liberty, seja lá o que for. E, seja lá o que for, não interessa.

Alô, Anatel! Vai ficar por isso mesmo? Vai ficar que nem essas empresas como Walmart, Groupon, Daffiti e outras que recebem dezenas de pedidos para suspender suas ofertas de produtos indesejados e continuam a mandá-las para quem expressamente declarou que não se interessa por elas?

Coisas da web
Este colunista pensou que já tinha visto o pior de tudo quando, após a notícia do falecimento da mãe de um amigo, alguém teclou no Facebook a tecla “curtir”. Mas pode haver coisas piores. Num grande portal noticioso, há a seguinte notícia: “Rod Stewart fez uso de cocaína pelo ânus. Veja isso na seção entretenimento&variedades”.

O conceito de entretenimento parece ter-se tornado bem mais elástico.

Inculta e bela
Não é tão difícil: mesmo que seja preciso fazer uma análise da frase, não é nada complicado. E, se alguém lê um bom livro de vez em quando, passa a escrever automaticamente de maneira correta. Pode não se lembrar das regras de regência, mas sabe quando a frase está certa ou errada.

Quem não sabe é quem não lê um bom livro de vez em quando. E quem não lê um bom livro de vez em quando não deveria ser jornalista. Não combina. Onde é que vai buscar um pouco de cultura, para ancorar as informações dispersas que recebe sem parar?

Uma frase: “A decisão ainda cabe recurso no Superior Tribunal de Justiça”. Não tem sentido: a gente até interpreta, mas já não é leitura fluente, é preciso decifrar o que se lê. Algo como “baixou hospital”, ou “fez exame de corpo delito”, ou “vou lhe encontrar para o agradecer”.

Outra frase do mesmo tipo:
** “(...) deixa de responder jornalista por desconhecer veículo”.

Quem responde, neste tipo de frase, responde a alguém.

Depois os jornais falam mal do livro do “os menino pega os peixe”.

Notícias estranhas
** “ACM Neto faz minicomício em Pau de Lima, em Salvador”.

E é muita maldade falar em minicomício quando o astro é ACM Neto.

Outra:

** “Despedaçado, catamarã high-tech de US$ 8 volta à base”

Se custa só US$ 8, este colunista também quer. Mesmo quebrado deve render mais do que isso.

Como...

De um grande portal noticioso da internet:
No título: “Sobe para 14 o nº de mortos em acidente com ônibus no RJ”

No texto: “Empresa havia informado anteriormente que eram 15 mortos”.

Como diriam os economistas do governo, trata-se de crescimento negativo.

...é...

De um grande jornal impresso:
** “Segundo o último levantamento do Ibope, (...) tem 60% dos votos válidos, ante 40% de 40% de (...)”.

...mesmo?

Num grande portal da internet, há uma foto do ator Marcelo Novaes, com o seguinte título:

** “Descanço merecido”.

Tudo bem, tudo bem. Depois do suceço estrondoso na novela, o ator mereçe ficar socegado e descançar.

E eu com isso?
O julgamento do mensalão é importante, mas é difícil encontrar coisa mais chata e mais longa. A leitura do noticiário do mensalão seria ótima se não se dedicasse a ensinar aos ministros como votar e publicasse menos fofocas da Corte.

Fofoca por fofoca, truco! Vamos direto às fofocas divertidas.
** “Penélope Cruz brinca com o filho em aeroporto”

** “Sabrina Sato escurece os cabelos”

** “Jennifer Lopez passeia com o namorado em Londres”

** “Gêmeas do nado caminham na orla da Barra da Tijuca”

** “Victoria Beckham é fotografada passeando com a filha caçula”

** “Débora Falabella e Benício são flagrados em restaurante de SP”

** “Pai de Justin Bieber aparece nu em fotos”

** “Eduardo Costa se diz um bom churrasqueiro”

** “Taylor Lautner janta em restaurante no Rio”

** “Preta Gil, Mariana Ximenes e Cleo Pires se encontram em evento”

** “Separado, Maradona viaja à Índia”

O grande título
Há exemplares bem interessantes. Podemos começar com um título daqueles que, como não cabiam no espaço, entraram depois de muita pancada:

** “Kanye West propôs a Kim Kardashian e já deu anel de diamantes de dez quilates à noiva”

E que é que ele propôs a Kim Kardashian? Pode ter sido casamento. Mas, do jeito que andam as coisas, talvez não seja: aquele japonês, por exemplo, prometeu um presente considerável à moça, mas não tinha nada de casamento, não.

Há também aquele título que errado não está, mas exige leitura atenta para ser decifrado:

** “Ministro de Dilma nega ser estranho subir no palanque de ex-rival de CPI”

Há um título com uma comparação que, no mínimo, merece ser explicada:

** “Mulher de Slash diz que Axl mostrou afinidade com hambúrguer”

E temos um título fantástico, sobre um projeto de mapeamento da Via Láctea:

** “Meta é fazer censo das bilhares de estrelas no espaço”

Bilhares. Será algo novo, referente a bilhões de milhares?

***

[Carlos Brickmann é jornalista e diretor da Brickmann&Associados]

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Irã nega critica à Dilma mas a Folha não volta atras. Ela só quer aparecer.


GOLFO PÉRSICO
26/01/2012 - 16h24 | João Novaes | Redação

Irã nega que porta-voz de Ahmadinejad tenha criticado governo Dilma
Chancelaria iraniana afirma que não há mudanças nas relações bilaterais
O porta-voz da Presidência do Irã, Ali Akbar Javankefr, negou ter criticado a presidente brasileira Dilma Rousseff em entrevista publicada na edição de segunda-feira (23/1) do jornal Folha de S.Paulo. Segundo o assessor iraniano, suas declarações, transcritas pelo jornal brasileiro na reportagem intitulada “Irã ataca diplomacia de Dilma e diz que Lula faz falta”, foram “distorcidas”.

A secretaria de redação da Folha de S.Paulo, por sua vez, afirmou à reportagem do Opera Mundi que "mantém as informações publicadas".

A negativa de que Javankefr teria criticado o governo Dilma foi publicada por duas agências de notícias iranianas na quarta-feira (25/01) e está sendo divulgada no Brasil pelo diretor de Relações Públicas da Embaixada do Irã, Ali Mohaghegh.

Segundo a nota da agência Irna (Agência de Notícias da República Islâmica), Javankefr teria dito, na ocasião da entrevista ao repórter Sami Adghirni, que “a presidente Dilma precisava de tempo para consolidar as relações entre Teerã e Brasília”. Segundo a reportagem, Javanfekr disse na entrevista ao jornal que o ex-presidente "Lula está fazendo muita falta". "A presidente brasileira golpeou tudo o que Lula havia feito. Ela destruiu anos de bom relacionamento", teria afirmado o porta-voz.

Ainda segundo a Irna, “Javanfekr afirmou ainda que havia elogiado o governo do Brasil e o seu povo pelo seu apoio à República Islâmica do Irã”. “Brasília insistiu no passado em manter um diálogo diplomático com Teerã sobre o programa nuclear da República Islâmica, uma política que havia começado com o antigo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que rejeitava qualquer uso da força fora do âmbito das Nações Unidas”, completou a agência.

A irritação do governo, segundo o jornal, viria desde março do ano passado. Enquanto membro provisório do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), o país votou a favor de uma investigação sobre a violação dos direitos humanos no país. Os iranianos também teriam se ressentido, segundo o jornal, de um suposto desinteresse do Brasil em desenvolver relações bilaterais, já que a recente viagem de Mahmoud Ahmadinejad pela América Latina não incluiu Brasília no itinerário.

Relações bilaterais
A segunda notícia que nega a fala de Javanfekr foi dada pela Isna (Agência de Notícias dos Estudantes do Irã) e republicada pelo site da embaixada iraniana no Brasil.

Nela, o porta-voz da chancelaria iraniana, Ramin Mehmanparast, afirma que “o Irã dispensa uma importância específica para suas relações com o Brasil, como o maior país da América Latina e uma das potências emergentes do mundo. Nesse sentido, sempre existiu um diálogo fluente e normal e não tem havido nenhuma mudança na visão de Teerã relativa ao Brasil”.

Mehmanparast disse ainda à Isna que “as relações entre os dois paises são históricas e de mais de 110 anos e, durante o longo dos anos, têm mantido sempre uma característica positiva. Esta relação, nos últimos anos e, em seguida às visitas presidenciais, tem crescido consideravelmente em todas as dimensões”.

Em seguida, o diplomata afirma que, “aparentemente, alguns meios de comunicação e de países terceiros”, que estariam “insatisfeitos e infelizes” com a relação existente entre os dois países, “voltaram-se para uma campanha midiática com o objetivo de minar esta relação”.

Javankefr também negou na matéria da Irna a notícia de que o Irã esteja começando a impôr restrições a produtos brasileiros. “As exportações do Brasil para o Irã aumentaram durante os meses seguintes” (à posse de Dilma), afirmou. “E o Irã superou a Rússia em 2011 como o maior mercado de exportação de carne brasileira”.

Na segunda-feira, o Itamaraty afirmou ao Opera Mundi que não se manifestaria sobre as supostas críticas do Irã ao governo Dilma e que as relações entre os dois países continuavam “corretas”.

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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Reinaldo Azevedo culpa PT pelo massacre do #Pinheirinho. Ele é o verdadeiro calhorda.

Do Anais Políticos 
TERÇA-FEIRA, 24 DE JANEIRO DE 2012

REIZINHO CULPA DILMA POR PINHEIRINHO E LIVRA O TUCANO.


O mundo mineral sabe que é pura perda de tempo ler a coluna de Reinaldo Azevedo na Veja.

Não é porque eu não gosto dele, porque não concordo com o que ele diz. Eu leio um monte de coisas ditas por pessoas com quem eu costumo não concordar. Mas é que o reizinho realmente deve imaginar que todos os seus leitores são absolutos estúpidos.

Depois que a mídia deu alguma coisa sobre a violência com a qual a polícia de São Paulo desocupou a favela do Pinheirinho, e, para bom entendedor, meia palavra basta, autorizado pelo sr. Governador daquelas planícies, (o impoluto Geraldo Alckmin), ficou meio claro de quem era a responsabilidade.

Tanto é verdade que o tucanão disse, nas palavras dele, que decisão judicial tem que ser cumprida.

Veja bem, leitor. Atente para os fatos. Alckmin autorizou a desocupação pela polícia. Esse tipo de operação nunca ocorre sem a chancela do Governador que é o chefe da polícia estadual!

Mas reizinho não se contenta. Teve a coragem de dizer para seu povo, que o Governo Federal poderia ter impedido o massacre. Mas como assim? Não foi o Governo estadual, tucano, que ele tanto defende que ordenou o massacre?

Reizinho se prende a argumentos que até uma criança de 12 anos rebate. "O Governo Federal poderia ter feito alguma coisa". Que coisa, cara-pálida? O que ele quer dizer? Que Dilma saberia que Alckmin ia ordenar que a polícia descesse o cacete na pobrarada e não ligou para impedí-lo?

"Alckmin, eu sei que você vai mandar bater nos pobres, mas não faz isso não, querido!"

Bem, pensando melhor, talvez reizinho tenha razão. Ela deveria ter adivinhado que o tucano ia mandar cacetear os favelados. Foi assim em todas as outras desocupações determinadas pelo PSDB, um governo sabidamente de ricos e que tem nojo da pobreza, por que haveria de ser diferente agora?

Reinaldo diz com todas as letras que Geraldo não tem culpa por ter ordenado a pauleira covarde em cima do povo, mas que Dilma tem culpa em não ter falado com ele, antes, pra ver se ele se tocava. Se for assim, por qual motivo o picolé de chuchu é Governador? Pra quê a Constituição Federal dá poderes ao Governo Estadual? Até porque, convém lembrar, a Justiça Paulista, ela mesma, disse que o massacre era legítimo e tudo bem dar ripada nos pobres. Quer dizer, a ordem de Geraldo é legal, mas é imoral. Azevedo não vê problema nisso. Uma ordem de Dilma seria ilegal, apesar de moral. Azevedo vê um problema aí.

Estou tentando lembrar do caso da consultoria do Palocci, que era legal mas imoral. Azevedo achou um horror e montou um circo com palhaços mil no picadeiro. Pra provar que ele defende um único patrão (a tucanada), o mesmíssimo tipo de consultoria implantada por Zé Chirico, pra "justificar seus ganhos" (palavras do próprio Zé), Azevedo achou normal (clique aqui para ver).

E convém lembrar pra quem não ficou sabendo, o Ministro da Educação na figura do Governo Federal se manifestou sim, a respeito, dizendo que não concordavam com esse tipo de desocupação.

Em suma, a tucanolândia tudo pode. Suprema, é senhora dos céus e dos mares. Até quando está errada está certa, porque os outros têm o dever de corrigi-la.

Reinaldo Azevedo é, de longe, a pessoa mais cara de pau da imprensa brasileira. Ele consegue pegar uma notícia, cuja culpa exclusiva dos fatos é das pessoas que ele tanto defende, e distorcer ao máximo, invertendo a lógica das coisas.

Idêntico é dizer que a culpa pelos crimes do estuprador, é da mãe dele, que não o impediu de nascer.

Sinceramente, você aí, que é leitor da Veja. Não se flagrou ainda que esse povo não bate bem da bola?

Clique aqui para ver a cracolândia da tucanolândia do Paraná.
Clique aqui para saber o motivo da compra de um novo avião pelo ilustre Governo do Paraná.
Clique aqui para ver o que a FPF não vê.
Clique aqui para ver sobre o metrô dos empreiteiros em Curitiba.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A mídia golpista e os rabiscos nas paredes do Congresso.


PIEGUICE EM BRASÍLIA
Rabiscos nas paredes do Congresso

Por Luciano Martins Costa em 12/08/2011 na edição 654
Comentário para o programa radiofônico do OI, 12/8/2011

Os jornais desta sexta-feira, dia 12, destacam com textos mais ou menos emocionados a descoberta de mensagens deixadas por operários que trabalharam na construção do edifício do Congresso Nacional, em Brasília, em 1959.

São frases piegas, platitudes produzidas por homens simples que se sentiam provavelmente muito orgulhosos por estarem ajudando a levantar a nova capital do país.

Mas, para a imprensa, é uma mensagem do passado a cobrar “dignidade e honra” e manifestar esperança no futuro do Brasil.

“Esperança e melancolia se misturam em um português precário”, observa a reportagem do Estadão, um dos diários que investiu mais no assunto.

Nas outras páginas que trazem notícias de Brasília, o tema recorrente é a corrupção, com destaque para as investigações sobre desvios no Ministério do Turismo.

Trata-se, na prática, de uma dessas séries de reportagens, que começou no Ministério dos Transportes e ameaça devassar todo o governo nos próximos meses, colhendo aqui e ali os resultados do garimpo de repórteres em material que vaza de investigações oficiais ou oficiosas, de fontes policiais ou plantação de desafetos políticos.

Como pano de fundo, a imprensa repete quase diariamente que a atual presidente da República está se livrando de uma herança deixada por seu antecessor.

Coincidentemente, a descoberta das inscrições feitas por operários numa laje do edifício da Câmara dos Deputados aconteceu por conta de um vazamento.

Em busca da fonte de uma infiltração de água, os engenheiros encontraram o lugar onde os trabalhadores anotaram há 52 anos suas reflexões e suas expectativas sobre o futuro do país.

Também naquela época havia denúncias de corrupção, e a construção de Brasília é considerada por historiadores e jornalistas como o ponto original dos esquemas criminosos envolvendo empreiteiras e políticos.

Algumas reluzentes empresas do Brasil de hoje nasceram como fornecedores de equipamentos e mão de obra para a consolidação do sonho de Juscelino Kubitschek.

Carregam, desde então, um longo prontuário de acusações e suspeitas de irregularidades em suas relações com o dinheiro público.

Chantagens explícitas

Os jornais noticiam praticamente todos os dias uma nova suspeita, esforçam-se por vincular os casos entre si e montam um cenário no qual toda a base aliada estaria envolvida num programa de saques contra oTesouro.

Paralelamente, editoriais e artigos induzem à interpretação de que o governo federal é refém de seus apoiadores.

Iniciativas da presidente da República, como a sucessão de demissões no Ministério dos Transportes, são temperadas com recomendações à chefe do governo para se livrar de seus aliados.

Mas nada se esclarece a respeito da questão central: quem assegura a governabilidade em caso de uma ruptura na base parlamentar?

A imprensa já publica recados maliciosos de representantes de partidos que orbitam o poder federal, insinuando que podem aprovar projetos que aumentam gastos públicos, inviabilizando medidas do governo para defender a economia brasileira dos efeitos da crise na Europa e nos Estados Unidos.

Além disso, existe a ameaça explícita de provocar um impasse semelhante ao que paralisou o governo dos Estados Unidos na semana passada, no debate em torno da ampliação dos limites de endividamento do Tesouro americano.

No caso do Brasil, trata-se do risco de o Congresso Nacional reduzir a margem de liberdade do Executivo na gestão do orçamento.

As chantagens nesse sentido já aparecem nos jornais.

Se nos Estados Unidos o Tea Party foi ressuscitado pela mão da imprensa conservadora e se tornou protagonista central de uma crise econômica sem precedentes, no Brasil a bancada do “toma lá, dá cá” se perpetua na periferia do poder, gerando crises sucessivas que podem, eventualmente, afetar as chances nacionais de desenvolvimento.

A corrupção não foi inventada neste século.

As mensagens esperançosas de operários que construiram Brasilia precisam ser lidas com menos pieguice e mais objetividade.

Se a imprensa realmente quer o combate à corrupção, precisa ir fundo às suas raízes e levantar para valer a bandeira da reforma política.

Por exemplo, denunciando os corruptores.

Nenhum governo será capaz de quebrar o vício da corrupção sem o respaldo da sociedade publicizado pela imprensa.

O risco é o governo se livrar de seus aliados e acabar refém da mídia.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

PSDB censura a revista Brasil Atual.

Publicado em 18/10/2010

PSDB quer liberdade de imprensa só para sua turma

Por: Paulo Salvador
Atualizado. A Editora Gráfica Atitude Ltda. recebeu às 16h desta terça-feira (19) notificação do Tribunal Superior Eleitoral determinando a interrupção da distribuição da edição 52 da Revista do Brasil, bem como a não divulgação de seu conteúdo por esta página na internet. A decisão do TSE atende a um pedido de liminar da coligação do candidato José Serra à Presidência da República. A editora tomou as medidas técnicas em respeito à decisão, enquanto encaminha as medidas cabíveis visando à reconsideração do referido ato por parte do Tribunal.

A Revista do Brasil sofreu mais uma investida do PSDB. Por solicitação dos tucanos, na madrugada desta segunda-feira (18) o ministro Joelson Dias, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pediu a suspensão de circulação da edição 52, de outubro.
A ação da coligação "O Brasil pode mais", encabeçada pelo PSDB, de José Serra, foi atendida apenas em parte. Além da Revista do Brasil, suspende a circulação do Jornal da CUT, ano 3, nº 28. Mas três itens cruciais foram negados pelo ministro Dias. A demanda dos advogados tucanos queria silenciar o Blog do Artur Henrique, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), e pedia a busca e apreensão do material mencionado.

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O terceiro item negado é emblemático: o PSDB queria que a questão tramitasse em segredo de Justiça. Nenhuma informação sobre o processo poderia ser divulgada, caso o pedido fosse atendido. Isso denota intenções claras do tucanato de ocultar da opinião pública a própria tentativa de restringir, ou censurar, a circulação de informações e opiniões.
A divulgação foi feita pelo site do TSE e repercutiu em sites noticiosos ao longo do dia. A Editora Gráfica Atitude, responsável pela Revista do Brasil, só poderá se pronunciar quando for comunicada oficialmente pelo órgão sobre a decisão do juiz e seus eventuais desdobramentos.
De antemão, agradece as centenas de mensagens de apoio e de solidariedade recebidas ao longo do dia, fruto da mobilização da blogosfera. Qualquer ato dessa natureza – indispor o Judiciário contra às liberdades de imprensa e de expressão – merece no mínimo a condenação de todos os cidadãos que prezam pela democracia e pelo direito à informação.
Diferentemente de panfletos apócrifos destinados a difundir terrorismo, desinformação e baixarias das mais diversas – sejam eles de papel, eletrônicos, digitais ou virtuais –, a Revista do Brasil tem endereço, CNPJ, núcleo editorial e profissionais responsáveis. A transparência do veículo, ao expor sua opinião de forma tão clara quanto rara na imprensa brasileira, e o jornalismo independente e plural que pratica – patrimônio dos trabalhadores aos quais se destina – não merecem ser alvo de qualquer forma de cerceamento.

Quatro anos depois

A edição 52 da Revista do Brasil trazia, à capa, uma foto da candidata à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT), com a chamada "A vez de Dilma: O país está bem perto de seguir mudando para melhor". A publicação explicita em seu editorial a posição favorável à candidatura Dilma, e traz também reportagem analisando circunstâncias da disputa do segundo turno.
O pedido de restrição de circulação de seu conteúdo assemelha-se a uma investida datada de junho de 2006. À época, o mesmo PSDB encampou pedido de suspensão de distribuição da edição número 1 da revista. Havia ainda a demanda de que a edição deixasse de ser divulgada no site da CUT e do Sindicato dos Químicos.
Repetida a investida, fica latente o lado em que estão as forças aliadas a José Serra. O lado de quem quer liberdade apenas para o tipo de imprensa e de expressão que lhes convém.

Nas páginas

A edição de outubro traz ainda reportagens especiais e exclusivas, características de seu perfil editorial diferenciado. Por exemplo, uma que descreve situação alarmante que acomete o mundo do trabalho: a prática do assédio moral, das pressões por produtividade à base de humilhações que tem levado pessoas à depressão e, em muitos casos, à tentativa de suicído.

O papel do Brasil na conferência de biodiversidade que acontece este mês no Japão. Relatos emocionantes de brasileiros que sobreviveram às bombas de Hiroshimsa e Nagasak. Uma entrevista pra lá de especial com o compositor Paulo César Pinheiro. Um passeio por um pedaço da Alemanha no interior de Santa Catarina. A opinião cortante de Mauro Santayana. A crônica irreverente de Mouzar Benedito. O drama da TV Cultura em São Paulo. E os rumos e rimas do hip hop nacional.