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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Para quem se sentiu excluído da lista do Nunes #nunespoemeunomenalista

#nunespoemeunomenalista
Se você quer demonstrar a sua indignação por ter ficado de fora da lista do jorNAZISTA Augusto Nunes, use a imagem e a tag acima, à vontade. É grátis!


Para entender o assunto, veja a matéria de Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania:

Deus lhe pague, Augusto Nunes

eduguim  21/12/12  Humor




Papai Noel chegou mais cedo pra mim, este ano. E o regalo natalino originou-se de onde menos podia esperar.

O Bom Velhinho que me presenteou, em verdade está mais para bom velhaco. Todavia, não posso deixar de agradecê-lo.

O indigitado teve a pachorra de eleger núcleos como os do mensalão para aqueles que cometem o “crime” – na mente doentia do dito cujo – de apoiar o ex-presidente Lula.

O meu benfeitor atende pelo nome de Augusto Nunes e é colunista da maior revista semanal do país, detendo antiga carreira tanto no jornalismo quanto no “jornalismo”.

Antes de reproduzir esse presentaço de Natal que me deu, porém, quero antecipar que, entre os núcleos que delirou, está um “Núcleo Jornalístico Esgotosférico”.

Veja, leitor, quem esse sujeito pôs na sua lista de alvos:

Eduardo Guimarães,

Emir Sader,

Franklin Martins,

Hildegard Angel,

Jânio de Freitas,

Leonardo Attuch,

Luis Fernando Verissimo,

Luis Nassif,

Marcos Coimbra,

Mino Carta e

Paulo Henrique Amorim.


Que dizer? Estou emocionadíssimo. Vou pôr o post de Nunes numa moldura e ficar olhando pra ele pra ver se acredito que mereço estar naquela lista.

O vice-esgoto da Veja, porém, deve ter se enganado. Sou apenas um representante comercial que escrevia cartas de leitor para grandes jornais e que, ao ser censurado por eles quando começou a divergir, decidiu criar um blog.

O cara me coloca ao lado de Luis Fernando Veríssimo… Pirou.

Mas que é bom estar em uma lista em que todos, nela, admiram uns aos outros – menos eu, claro, que sou só um penetra –, é “bão” demais.

Só tenho medo de que Nunes se arrependa e me tire dessa lista que, ao fim do post, reproduzo na íntegra.

Seja como for, mesmo que a notoriedade vier a ser breve, sinto-me na obrigação de agradecer àquele que, querendo me insultar, elogiou-me como poucas vezes fui elogiado.

Deus lhe pague, Augusto Nunes.

*

Confira, abaixo, a lista dos alvos da Veja




sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Paulo Nogueira: Policarpo infringiu uma lei capital do bom jornalismo, a que "jornalista não tem amigo".


Por que é certo indiciar Policarpo

Diário do Centro do Mundo - PAULO NOGUEIRA 23 DE NOVEMBRO DE 2012

Quando jornalistas viram amigos de suas fontes, o interesse público é sempre o maior perdedor

Policarpo Junior

Antes de tudo: não acredito que o jornalista Policarpo Júnior tenha tido, em suas relações com Carlinhos Cachoeira, a intenção de obter nada além de furos.

Isto posto, do ponto de vista estritamente jornalístico, Policarpo foi longe demais em sua busca de notícias, como os fatos deixaram claro.

Policarpo infringiu uma lei capital do bom jornalismo, enunciada há mais de um século por um dos mais brilhantes jornalistas da história, Joseph Pulitzer: “Jornalista não tem amigo”.

Pulitzer sabia que a amizade acaba influenciando o discernimento do jornalista, e subtraindo dele a capacidade de enxergar objetivamente sua fonte. É um preço muito alto para o bom jornalismo.

Os telefonemas trocados entre Cachoeira e Policarpo não mostram cumplicidade, no sentido pejorativo de companheirismo em delinquências. Mas revelam uma intimidade inaceitável no bom jornalismo, uma camaradagem que vai além dos limites do que é razoável.

Tiremos o excesso das palavras que têm varrido as discussões políticas, jurídicas e ideológicas no Brasil. Somos, subitamente, a pátria dos “quadrilheiros”. Policarpo está longe de se enquadrar, tecnicamente, nesta categoria, e disso estou certo. Não vararia madrugada em redação se recebesse de Cachoeira mais que dossiês.

Mas, por ter se tornado tão próximo de Cachoeira, ele acabou se deixando usar por um grupo no qual o interesse público era provavelmente a última coisa que importava. Logo, havia um envenenamento, já na origem, nas informações que ele recebia e publicava. Que Policarpo não se tenha dado conta do pântano em que pescava denúncias não depõe a favor de sua capacidade de observar, mas miopia não é crime.

Minha convicção é que ele não terá dificuldades, perante a justiça tão louvada pela mídia por sua atuação no Mensalão, em provar que fez apenas jornalismo com Cachoeira – ainda que mau jornalismo.

Mas é necessário que Policarpo enfrente o mesmo percurso de outros envolvidos neste caso. Ele deve à sociedade, e ao jornalismo, explicações.

Teria sido infame não arrolá-lo. Isso teria reforçado a ideia de que jornalista é uma categoria à parte, acima do bem e do mal, acima da lei.

Não existe nenhuma ameaça à “imprensa livre”, “imprensa independente” ou “imprensa crítica” quando jornalistas são instados a se explicar à justiça. Esta é uma espécie de chantagem emocional e cínica que a grande mídia vem fazendo na defesa de sua própria impunidade e intocabilidade. Todos sabemos quantos horrores e desatinos editoriais são cometidos sob o escudo oportuno da “imprensa crítica”. Nos países desenvolvidos, o quadro é outro.

Nesta mesma semana, a jornalista inglesa Rebekah Brooks, a até pouco atrás “Rainha dos Tabloides” e favorita de seu ex-patrão Rupert Murdoch, foi indiciada pela justiça britânica sob a acusação de ter pagado propinas para policiais em troca de furos para um dos jornais que dirigiu, o Sun.

A ex-Rainha dos Tabloides foi indiciada, na Inglaterra

Nem Murdoch, com sua quase comovente devoção por Rebekah, cuja cabeleira rubra enfeitiça muita gente, se atreveu a dizer que a “imprensa independente” estava sendo agredida. Todos os jornais noticiaram o caso serenamente, com o merecido destaque.

Empresas jornalísticas não são instituições filantrópicas. Vivem dos lucros, e nisso evidentemente não existe mal nenhum – desde que os limites legais e éticos sejam respeitados. Em todas as circunstâncias, mesmo nas mais simples. Esta semana, para ficar num pequeno grande caso, o comediante Paulo Gustavo afirmou no twitter que a Veja fez uma reportagem com ele na qual o fotografou com uma camiseta amarela em que estava estampado Che Guevara. Segundo ele, Che foi retirado da foto.

Do ponto de vista de ética jornalística, isso é admissível? Ou é uma pequena trapaça que pode dar origem a grandes? Tudo isso exige debate.

O episódio Policarpo é uma excelente oportunidade para que o Brasil discuta com transparência, como está acontecendo na Inglaterra, quais são mesmo estes limites, para o bem da sociedade e do interesse público.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Dilma mandou uma 'batatada' ao falar sobre 'excessos da mídia' no Brasil

Dilma constrange a União Europeia com declaração sobre ‘excessos’ da mídia no Brasil

Do Correio do Brasil - 21/11/2012 18:30, Por Gilberto de Souza - do Rio de Janeiro



Dilma mandou uma 'batatada' ao falar sobre 'excessos da mídia' no Brasil

A presidenta DilmaRousseff precisou viajar até a Espanha, um dos pilares da União Europeia, para mandar de lá uma daquelas ‘batatadas’ das quais o Brasil poderia, perfeitamente, prescindir. A questão do bullyng midiático do qual a mandatária brasileira é vítima, diga-se, já foi assunto aqui noCorreio do Brasil desde quando ela assumiu que “a imprensa brasileira comete excessos com frequência”, mas que prefere o mau caratismo generalizado “ao silêncio da ditadura”. Ocorre, porém, que os espanhóis não admitem nem uma coisa, traduzida nos tais ‘excessos’ de um grupelho rico e golpista que domina a mídia nacional, nem a outra, a ditadura promovida por essa turma nos idos de 1964, época na qual a outrora e saudosa guerrilheira foi capturada pelos mesmos algozes.

Os britânicos também não admitem uma coisa dessas, tanto que colocaram abaixo o império secular de um dos tubarões da mídia internacional. Diferentemente daqui, onde o sujeito que dirige uma revistinha fascista mantinha ligações perigosíssimas com o chefe de uma quadrilha e sequer é convidado a depor no Parlamento, os parlamentares ingleses colocaram um na cadeia e fecharam o jornal do manda-chuva. Os franceses, menos ainda. Os alemães, nem pensar. Lá, onde Dilma pensou estar abafando ao afagar os cães que a acuam no corner do noticiário, o Parlamento Europeu editou, há quatro anos, uma resolução muito parecida com a Lei dos Meios, recentemente sancionada aqui, na vizinha Argentina. Nossos hermanos, nesse ponto, estão anos-luz distantes do acinte em curso no Brasil.

Dilma, certamente, fez ouvidos moucos aos bem pagos conselhos de sua assessoria que, se faz valer tudo o que ganha, deve tê-la alertado que todos os países da Europa são signatários da Resolução do Parlamento Europeu, de 25 de Setembro de 2008, sobre a concentração e o pluralismo nos meios de comunicação social na União Europeia. Trata-se do documento que rege o relacionamento entre os Estados daquele continente e a liberdade de imprensa e das empresas, de forma a preservar a diversidade e evitar a concentração de poder nas mãos de alguns apaniguados, a exemplo do que se vê aqui, neste lado do Atlântico.

Como questionou o insuspeito jornalista Paulo Nogueira a partir de Londres, de onde escreve o seu Diário do Centro do Mundo, “a declaração de Dilma é um esforço diplomático, é certo, mas ela é essencialmente infeliz. Se ela reconhece ‘os excessos da mídia’, o que ela pensa fazer para enfrentar o problema, em nome do interesse público? Ou será que ela pretende apenas constatar o caso?”. Mais do que apenas constatar, sequer se informou sobre as soluções encontradas para questões semelhantes, no local onde estava para uma entrevista ao ultra-conservador diário espanholEl País. Quem agendou essa armadilha deve ter sido a mesma assessoria que lhe garantiu a capa da revista semanal de ultradireita Veja, não faz muito tempo. As digitais parecem ser as mesmas.

Ainda segundo Nogueira, diante dos tais excessos praticados pela mídia golpista nacional, “admiti-los e não fazer nada tem um nome: omissão. Ou, numa visão um pouco mais severa, covardia”. Mas aí é preciso fazer uma ressalva. A falta de coragem para enfrentar o rolo compressor das co-irmãs, seja na hora do jantar ou numa banca perto de você, não seria apenas da presidenta, mas do Congresso também, hipnotizado cada vez que uma câmera é ligada ou lhe estouram um flash pelas fuças. Tal qual o Planalto, este poder da República abstrai da vontade política de enfrentar o arrivismo que assombra o país, sempre às vésperas das eleições ou quando apertam os calos dos dono do poder econômico na comunicação social brasileira.

Em sua resolução, a União Europeia confirmou o “seu empenho na defesa e na promoção do pluralismo dos meios de comunicação, enquanto pilar essencial do direito à informação e da liberdade de expressão, consagrados no artigo 11º da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia e que constituem princípios fundamentais para a preservação da democracia, do pluralismo cívico e da diversidade cultural”. E, para garantir esta diretiva, instou a Comissão e os Estados-Membros a “salvaguardarem o pluralismo dos meios de comunicação, a assegurarem o acesso de todos os cidadãos da UE a meios de comunicação social livres e diversificados e a recomendarem melhorias, quando necessário”.

Se apenas estes dois artigos estivessem em vigor, aqui no Brasil, escândalos como a Proconsult da Rede Globo, no passado, e sua recente versão nas eleições para a prefeitura paulista, com a divulgação de resultados suspeitos de pesquisas de opinião do instituto de propriedade do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, sequer teriam como existir. Sem falar na baixaria transcrita nas capas dos jornalões ou nos horários nobres das tevês acumpliciadas, durante as últimas eleições presidenciais.

Na Europa, de onde partiu a declaração mal informada da presidenta, o Parlamento Europeu observou que “a evolução do sistema mediático é cada vez mais orientada para o lucro” e, consequentemente, “os processos societários, políticos ou econômicos, assim como os valores consagrados nos códigos de conduta dos jornalistas não estão convenientemente salvaguardados”. Diante deste fato, os europeus consideraram, assim, que “o direito da concorrência deve estar interligado com o direito da comunicação social, a fim de garantir o acesso, a concorrência e a qualidade e de evitar conflitos de interesses entre a concentração da propriedade (…) e o poder político, que são prejudiciais para a livre concorrência, a equidade ao nível da atividade e o pluralismo”.

A turma de olhos azuis até parece conhecer bem demais a realidade brasileira, e trataram de evitá-la.

Gilberto de Souza é editor-chefe do Correio do Brasil.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Mino Carta: "...Veja e seu diretor, Policarpo Jr., uma revista e um profissional que desonram o jornalismo."

O “mensalão” tucano

Mino Carta - Carta Capital

A mídia nativa entende que o processo do “mensalão” petista provou finalmente que a Justiça brasileira tarda, mas não falha. Tarda, sim, e a tal ponto que conseguiu antecipar o julgamento de José Dirceu e companhia a um escândalo bem anterior e de complexidade e gravidade bastante maiores. Falemos então daquilo que poderíamos definir genericamente como “mensalão” tucano. Trata-se de um compromisso de CartaCapital insistir para que, se for verdadeira a inauguração de um tempo novo e justo, também o pássaro incapaz de voar compareça ao banco dos réus.


A privataria. Não adianta denunciar os graúdos: a mídia nativa cuida de acobertá-los

Réu mais esperto, matreiro, duradouro. A tigrada atuou impune por uma temporada apinhada de oportunidades excelentes. Quem quiser puxar pela memória em uma sociedade deliberadamente desmemoriada, pode desatar o entrecho a partir do propósito exposto por Serjão Motta de assegurar o poder ao tucanato por 20 anos. Pelo menos. Cabem com folga no enredo desde a compra dos votos para a reeleição de Fernando Henrique Cardoso, até a fase das grandes privatizações na segunda metade da década de 90, bem como a fraude do Banestado, desenrolada entre 1996 e 2002.

Um best seller intitulado A Privataria Tucanaexpõe em detalhes, e com provas irrefutáveis, o processo criminoso da desestatização da telefonia e da energia elétrica. Letra morta o livro, publicado em 2011, e sem resultado a denúncia, feita muito antes, por CartaCapital, edição de 25 de novembro de 1998. Tivemos acesso então a grampos executados no BNDES, e logo nas capas estampávamos as frases de alguns envolvidos no episódio. Um exemplo apenas. Dizia Luiz Carlos Mendonça de Barros, presidente do banco, para André Lara Rezende: “Temos de fazer os italianos na marra, que estão com o Opportunity. Fala pro Pio (Borges) que vamos fechar daquele jeito que só nós sabemos fazer”.

Afirmavam os protagonistas do episódio que, caso fosse preciso para alcançar o resultado desejado, valeria usar “a bomba atômica”, ou seja, FHC, transformado em arma letal. Veja eÉpoca foram o antídoto à nossa capa, divulgaram uma versão, editada no Planalto e bondosamente fornecida pelo ministro José Serra e pelo secretário da Presidência Eduardo Jorge. O arco-da-velha ficou rubro de vergonha, aposentadas as demais cores das quais costuma se servir.

Ah, o Opportunity de Daniel Dantas, sempre ele, onipresente, generoso na disposição de financiar a todos, sem contar a de enganar os tais italianos. Como não observar o perene envolvimento desse monumental vilão tão premiado por inúmeros privilégios? Várias perguntas temperam o guisado. Por que nunca foi aberto pelo mesmo Supremo que agora louvamos o disco rígido do Opportunity sequestrado pela PF por ocasião da Operação Chacal? Por que adernou miseravelmente a Operação Satiagraha? E por que Romeu Tuma Jr. saiu da Secretaria do Ministério da Justiça na gestão de Tarso Genro? Tuma saberia demais? Nunca esquecerei uma frase que ouvi de Paulo Lacerda, quando diretor da PF, fim de 2005: “Se abrirem o disco rígido do Opportunity, a República acaba”. Qual República? A do Brasil, da nação brasileira? Ou de uma minoria dita impropriamente elite?

Daniel Dantas é poliédrico, polivalente, universal. E eis que está por trás de Marcos Valério, personagem central de dois “mensalões”. Nesta edição, Leandro Fortes tece a reportagem de capa em torno de Valério, figura que nem Hollywood conseguiria excogitar para um policial noir. Sua característica principal é a de se prestar a qualquer jogo desde que garanta retorno condizente. Vocação de sicário qualificado, servo de amos eventualmente díspares, Arlequim feroz pronto à pirueta mais sinistra. Não se surpreendam os leitores se a mídia nativa ainda lhe proporcionar um papel a favor da intriga falaciosa, da armação funesta, para o mal do País.

Pois é, hora do dilema. Ou há uma mudança positiva em andamento ou tudo não passa de palavras, palavras, palavras. Ao vento. É hora da Justiça? Prove-se, de direito e de fato. E me permito perguntar, in extremis: como vai acabar a CPI do Cachoeira? E qual será o destino de quem se mancomunou com o contraventor a fim de executar tarefas pretensamente jornalísticas, como a Veja e seu diretor da sucursal de Brasília, Policarpo Jr., uma revista e um profissional que desonram o jornalismo.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Agora, quem dá a pauta é o público. (O povo não é bobo, Rede Globo!)

O que o caso Marcos Valério conta sobre a mídia brasileira

Paulo Nogueira17 de setembro de 2012




Marcos Valério

Na condição de jornalista independente e apartidário, pronto a reconhecer méritos e defeitos de FHC ou de Lula ou de quem mais for, não posso deixar de comentar o episódio Marcos Valério e Lula. Minha experiência em redação pode eventualmente ajudar o leitor a entender melhor o que vê publicado.

Na essência, este caso ajuda a entender uma coisa: por que o poder de influência da grande imprensa se esvaiu tanto nos últimos anos. Note: não faz tanto tempo assim, Roberto Marinho era tido como a pessoa mais poderosa do país, capaz de eleger ou não quem quisesse. Sucessivos presidentes machucavam as costas para se curvar a Roberto Marinho e obter seu apoio, tido como fundamental.

Pela terceira vez seguida, a Globo não foi capaz de eleger seu preferido para a eleição presidencial. Todo o empenho de jornalistas em postos importantes da casa – de Kamel a Merval, de Noblat a Míriam Leitão, de Bonner a Waack, isso para não falar de colunistas como Jabor e entrevistados frequentes como Demétrio Magnoli – foi insuficiente para convencer os eleitores a votarem como a Globo desejava que votassem.

Isso é um dado importante e objetivo: esforço não faltou. Faltou foi poder de persuasão. Faltou foi influência. Faltou foi um conjunto de argumentos que fizessem sentido. Não apenas para a Globo, evidentemente, mas para a grande imprensa como um todo.

Donos e editores já deveriam há muito tempo ter parado para tentar entender por que sua voz não está sendo ouvida. Você pode fingir que o problema está neles, nos eleitores. Ou pode enfrentar os fatos corajosamente e ver que correções pode fazer em sua trajetória. Alguém já disse e repito aqui: mais editores fazem mais estragos para a imprensa estabelecida do que a internet.



O casal Pedro Collor: onde as provas?

E então chegamos a Marcos Valério. A notícia que parece incendiar os comentaristas políticos é a seguinte: Marcos Valério afirma que Lula era o chefe do mensalão. Mais precisamente: Marcos Valério teria afirmado.

Foi capa da Veja. Segundo Noblat, a Veja gravou uma fita com a acusação de Marcos Valério.

Vamos considerar o cenário mais favorável a quem é contra Lula: Marcos Valério de fato falou, e a fita existe.

Ainda assim: uma acusação de Marcos Valério tem valor de prova para que se publique e se repercuta com tanto calor? É legítimo publicar o que quer que Marcos Valério diga – sem evidências que as sustentem? Se as há, se existe algo além da palavra duvidosa ainda que gravada de Marcos Valério, retiro tudo o que disse acima sobre o episódio. (Leio agora que a revista decidiu não publicar a suposta fita.)

Em países em que a sociedade é mais avançada, você precisa muito mais do que as palavras de alguém para publicar acusações graves – ou terá que enfrentar a Justiça. Foi o caso célebre de Paulo Francis. Francis teve o azar de chamar diretores da Petrobras de corruptos em solo americano. Os acusados puderam processá-lo na Justiça americana. Onde as provas? Os amigos dizem que Francis morreu por conta do desgaste emocional deste caso, e acredito. Se o processo corresse na Justiça brasileira, não daria em nada, evidentemente.

Um dia o jornalismo brasileiro terá também que fazer uma autocrítica em relação ao caso Collor. Não que se tratasse de um caçador de marajás. Mas o que mais pesou em sua queda foram palavras – a famosa entrevista de Pedro Collor. Estava certo publicar o que Pedro Collor afirmara como se fosse verdade indiscutível?

Na época, quando conversava com outros jornalistas sobre a capa de Pedro Collor, a pergunta que eu fazia era a seguinte: imagine que o irmão do presidente americano bate na redação do New York Times e conta histórias horríveis. O Times publicaria?

O público não deve entender como alguém que segundo Pedro Collor cometeu tantos crimes acabou sendo absolvido pelo Supremo Tribunal Federal e está aí, militando na política. Não havia provas, segundo o STF. Mas então qual a sustentação da entrevista de Pedro Collor? Palavras? É pouco.

No presente caso, pelo pouco que li, vi a velha cena tão comum nos últimos dez anos. Uma acusação – ainda que partida de Marcos Valério, ainda que sem provas — vai tomando ares de extrema gravidade na grande imprensa. Alguém dá, e depois vem a repercussão previsível. Leio que Merval chegou a falar em cadeia.

O público não me parece tão convencido assim da importância do assunto. Observei que no site da Folha e do Estado o tema não é sequer o mais lido do dia. Ocupava, quando verifiquei, uma modesta quinta posição. Russomano – já nem lembro por que – despertava muito mais interesse no leitor.

O leitor não é bobo. Mas a mídia estabelecida o trata como se fosse, e sua perda de influência deriva, em grande parte, desse erro de avaliação. Nos dezesseis anos que compreendem as gestões de FHC e Lula, o Brasil avançou consideravelmente. A grande imprensa, infelizmente, não conseguiu acompanhar este avanço.


Sobre o autor: Paulo Nogueira posts de Paulo Nogueira

Paulo Nogueira é jornalista e está vivendo em Londres. Foi editor assistente da Veja, editor da Veja São Paulo, diretor de redação da Exame, diretor superintendente de uma unidade de negócios da Editora Abril e diretor editorial da Editora Globo.

terça-feira, 17 de julho de 2012

A Globo tem medo do Collor. Ela sabe o estrago que ele pode fazer.

SEGUNDA-FEIRA, 16 DE JULHO DE 2012

'Rede plim plim' engana o país. De novo...


Muita gente ficou ligada na “poderosa” para ver a declaração bomba de Rosane Collor (ou Malta, tanto faz) sobre os bastidores do governo Collor. A ‘Grobo” anunciou isso com ares de filme de Hitchcock. Esta foi a última “atração” do Fantástico (?).

E num foi que a “rede plim plim” enganou o país. De novo!

Primeiro ao anunciar notícia. E notícia bomba. Não tinha nas falas da ex-primeira dama nenhuma novidade. Segundo, que a Ceribeli, que entrevistava Rosane, anunciou que essa era a primeira vez que ela falava sobre o assunto.

Acho que a Ceribeli não lê a Veja [ironia mode on]. Uma entrevista com o mesmo conteúdo foi dada em 2007 à boaterista Veja. Clique aqui

Mas ficaram mais claras algumas coisas sobre a grande imprensa. Como por exemplo, seu desespero. A CPI do Cachoeira a cada dia revela mais o envolvimento de Veja e Globo (revista Época) no esquema do bicheiro. Mais aqui ou aqui

Sua raiva à criatura por ela (Globo) criada (clique aqui). Ora, após abandonar Collor no processo de impeachment me 1992, o que ela e o resto do PIG esperavam? Que Collor mandasse flores?

É óbvio que ele quer ir à forra.

Mas em nada os problemas domésticos entre Collor e a grande imprensa que o criou deslegitima o que o senador vem pautando na CPI do Cachoeira sobre a grande imprensa. As gravações telefônicas da Operação Monte Carlo da Polícia Federal comprovam o que o senador coloca na CPI.

Clique aquie assista o porquê da “entrevista bomba” sem novidades de Rosane Collor (ou Malta, tanto faz) exibida no Fantástico.

Outra coisa que ficou bem mais nítida foi a falta de um pauteiro nas Organizações Globo. Cachoeira tá preso e não arrumaram ninguém pro lugar. Leia mais aqui

A entrevista exibida ontem é a mesma feita por Veja (link acima).

Desespero causa medidas desesperadas. Por isso, a presepada de ontem.

A CPI vai chegar no Serra, ou seja no PSDB. Por conseguinte, com muita força na grande imprensa. A Globo e o PSDB são quase irmãos em golpes. Leia mais aqui

Como já afirmei antes por aqui a CPI não vai passar em branco. Já não está em branco. Demóstenes, o mosqueteiro da ética, já foi cassado. A grande imprensa se desmoraliza a cada dia.

E pra completar o PSDB deve sofrer derrotas fragorosas nas eleições deste ano.

Em tempo: Antes de você, que leu essa postagem, achar que eu estou defendendo o Collor, saiba que ele é um pulha. Ponto. Sengundo que ele é dono de uma poderosa rede de comunicação, com TV, rádios, sites e jornal. Todos os maiores em Alagoas. Além de ser senador.

Você realmente acha que ele precisa que alguém o defenda?

segunda-feira, 16 de julho de 2012

A cronologia do "mensalão" e a mídia

Publicado em 16/07/2012 por Veja Bandida

Analise através das capas da Revista Veja o comportamento da mídia em relação ao suposto mensalão e descubra a verdade sobre os fatos. De 2002 até a cassação de Demóstenes Torres, uma complexa trama de interesses particulares transformou um réu sem provas em condenado pela mídia.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

De quem é esse JEGue? É do Serra, do Gilmar e da Veja.

Serra, Gilmar e Veja: conspiração?
Por Altamiro Borges

Saiu hoje na coluna de Mônica Bergamo:

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Quarto elemento
Há alguns dias, José Serra ligou para o ex-ministro Nelson Jobim. Pediu a ele que falasse com a revista "Veja". Jobim atendeu ao pedido do amigo – e só então soube da reportagem sobre Lula e o ministro Gilmar Mendes. Escaldado, Jobim disse não ter presenciado nada beligerante na conversa entre os dois, que ocorreu em seu escritório, em Brasília.

Memória

Mendes afirmou à revista que Lula tentou convencê-lo a adiar o julgamento do mensalão. Em troca, teria oferecido proteção na CPI do Cachoeira. Jobim contradiz o ministro. Lula também nega.

******

A nota da colunista da Folha é inflamável. Ela sugere uma articulação sombria entre o eterno candidato tucano, a revista acusada de associação com o crime organizado e o ministro do STF envolvido em várias crises institucionais. A conspiração, se confirmada, tem nítidos objetivos golpistas. Visaria atingir a honra e a liderança de Lula e tumultuar o quadro pré-eleitoral.

Diante da entrevista de Gilmar Mendes à Veja, quando acusou sem provas o ex-presidente de tentar chantageá-lo, os líderes do PSDB propuseram chamar Lula para depor no Congresso Nacional. Não seria o caso, agora, de convocar José Serra para explicar suas relações de amizade com o ministro do STF e sua ascendência sobre a revista – ajudando em suas pautas difamatórias?

O medo do pitbull da Veja
A carga explosiva da notinha de Mônica Bergamo já foi sentida por um dos capachos do ex-governador. O blogueiro agressivo e doente da Veja sentiu o baque. Para ele, a nota serve de “palavra de ordem para a esgotosfera: ‘Culpem o Serra!’”. Desesperado, Reinaldo Azevedo já partiu para baixaria, tentando desqualificar a jornalista da Folha.

Para ele, a notícia não tem valor. “Se é verdade ou mentira, pouco importa. Monica começou a trabalhar para a Polícia Federal e também está interessada em saber quem fala e quem não fala com Veja? Amiga de José Dirceu e ex-namorada de seu advogado, José Luís de Oliveira Lima, ela escreve uma notinha que faz dar a impressão de que tudo não passou de uma espécie de tramoia da oposição — e, se é assim, não pode faltar o nome de Serra”.

O pitbull da Veja, cada vez mais desmoralizado, isolado e temendo por seu futuro, chega a sugerir que Mônica Bergamo faria parte do movimento dos blogueiros progressistas – que ele apelidou de JEG. É uma calúnia, posso garantir! O único jegue neste caso é o próprio colunista da Veja.

domingo, 13 de maio de 2012

Policarpo, Perillo e Gurgel têm muito para explicar na #CPIdoCachoeira

Da Carta Maior



Policarpo sabia que Demóstenes tinha relação com essa quadrilha'
Delegado da Polícia Federal Matheus Mela Rodrigues disse na CPMI que o editor da Veja em Brasília, Policarpo Junior, não era foco da investigação na operação Monte Carlo, mas que ele sabia da relação do senador Demóstenes Torres com o contraventor Cachoeira, relatou o deputado Paulo Teixeira (PT-SP). "Sabendo que o Demóstenes tinha relação com a quadrilha, a Veja não podia ter feito o que fez com o Demóstenes, ter endeusado ele”, disse ainda o parlamentar. A reportagem é de Vinicius Mansur.

Vinicius Mansur

Brasília - Após a oitiva do delegado federal, Matheus Mela Rodrigues, promovida na última quinta-feira (10) pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, alguns parlamentares se apressaram em livrar o editor da revista Veja em Brasília, Policarpo Júnior, de envolvimento criminoso com o esquema investigado.

O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) disse que “o depoimento do delegado Matheus ontem praticamente sepulta a tese de que havia qualquer conluio entre o Policarpo e o Cachoeira. O que ele disse foi que, em todos os áudios, em toda a investigação que ele, delegado Matheus, fez, não há registro de nenhuma transação financeira nem nenhum crime”.

Segundo o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), o delegado Rodrigues realmente disse que as ligações por ele apuradas não denunciam crime por parte de Policarpo, porém afirmou depois que esse não era seu foco na investigação. De acordo com o deputado, os dois delegados da Polícia Federal já ouvidos pela CPMI – Rodrigues, na última quinta, e Raul Alexandre Marques Sousa, na última terça-feira – estavam incumbidos de descobrir os caminhos do dinheiro da quadrilha, não estando dedicados a investigações como esta, envolvendo Policarpo Júnior.

“O delegado falou que só na operação dele foram 42 ligações com o Policarpo. Isso mostra uma intensidade inaceitável e uma promiscuidade nessa relação. Ele [Policarpo] sabia que era um órgão criminoso, era basicamente espionagem política. O delegado disse que o Policarpo sabia que o Demóstenes tinha relação com essa quadrilha, o que é de grande valia, porque, sabendo que o Demóstenes tinha relação com a quadrilha, a Veja não podia ter feito o que fez com o Demóstenes, ter endeusado ele”, afirmou Teixeira.

Durante a operação Monte Carlo foram interceptadas 259.949 ligações, sendo 16 mil consideradas importantes e 3753 telefonemas fortuitos. Também foram analisados 5 mil emails. Muito desses materiais ainda estão sendo estudados pela Polícia Federal. 28 malotes com materiais recolhidos no processo de busca e apreensão sequer foram abertos. Estas informações foram ditas pelo delegado Rodrigues, segundo o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).

O deputado Protógenes Queiróz (PCdoB-SP) afirmou que a partir de agora haverá um foco dentro da investigação para saber qual o objetivo das ligações entre o editor da Veja e o grupo de Cachoeira.

Situação se complica para PerilloO senador Randolfe considerou que o maior prejudicado pelas informações reveladas na última oitiva da CPMI foi o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). “O nível de detalhamento do comprometimento do governo de Goiás é enorme. Envolvimento do procurador do estado que atuava quase como advogado da Secretaria de Educação, contatos muito permanentes com o secretário de Infraestrutra, que é o suplente do Demóstenes [Torres, senador], envolvimento da secretaria de Segurança Pública, o aparato de segurança pública atuava junto com a organização do contraventor. É urgente para os membros da CPMI ouvirem o governador de Goiás”, disse.

A gravidade da situação de Perillo também foi compartilhada pelo deputado Paulo Teixeira. Além dos problemas citados pelo senador do PSOL, Teixeira agregou o envolvimento da Secretaria de Ciência e Tecnologia, de um diretor do DETRAN-GO e da chefe de gabinete do governador, além da remessa de uma caixa de computador com R$ 500 mil para dentro do palácio do governo goiano e da venda de uma casa de Perillo para o Cachoeira. Foi nesta casa que Cachoeira foi preso.

O deputado relata que a casa foi vendida ao sobrinho de Cachoeira, Leonardo de Almeida Ramos, que pagou com três cheques, repassados ao governador goiano, totalizando R$ 1,4 milhão.

Em nota, o governador Perillo afirmou que a casa "foi vendida rigorosamente dentro da lei e declarada no Imposto de Renda”, sendo os três cheques depositados em sua conta corrente.

Outras prioridades da CPMIRandolfe defendeu ainda a convocação dos sócios-proprietários da construtora Delta. “A Delta fez depósitos para três empresas laranjas do senhor Carlos Cachoeira, a JR, a Brava e a Alberto Pantoja. E eu acho uma temeridade que uma empresa como a Delta seja comercializada agora e comprada, ainda, por uma outra empresa que tem participação societária do estado brasileiro, que é a JBS que tem 32% de participação societária do BNDES”, destacou.

Para Paulo Teixeira ficou claro que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, deixou de tomar providências importantes, o que acabou resultando na paralisação das investigações. Na oitiva, o delegado Rodrigues disse que a Operação Monte Carlo foi motivada por uma denúncia da promotoria de Valparaíso de Goiás. “Ele [Gurgel] precisa explicar, mas resolveu jogar uma cortina de fumaça nesse debate, resolveu dizer que isso acontece, que é coisa de mensaleiro. Portanto, desviou o debate, com a omissão dele”, afirmou.

Fotos: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

sábado, 12 de maio de 2012

"Roberto Civita é o Murdoch que este país pode se permitir"


ETERNOS CHAPA-BRANCA
O editorial da “CartaCapital” que chega aos leitores neste sábado é uma resposta ao editorial do jornal “O Globo” em defesa da “Veja”. Destaco em negrito alguns pontos. Leiam e compartilhem.

O jornal O Globo toma as dores da revista Veja e de seu patrão na edição de terça 8, e determina: “Roberto Civita não é Rupert Murdoch”. Em cena, o espírito corporativo. Manda a tradição do jornalismo pátrio, fiel do pensamento único diante de qualquer risco de mudança.

Desde 2002, todos empenhados em criar problemas para o governo do metalúrgico desabusado e, de dois anos para cá, para a burguesa que lá pelas tantas pegou em armas contra a ditadura, embora nunca as tenha usado.

Os barões midiáticos detestam-se cordialmente uns aos outros, mas a ameaça comum, ou o simples temor de que se manifeste, os leva a se unir, automática e compactamente.

Não há necessidade de uma convocação explícita, o toque do alerta alcança com exclusividade os seus ouvidos interiores enquanto ninguém mais o escuta.

E entra na liça o jornal da família Marinho para acusar quem acusa o parceiro de jornada, o qual, comovido, transforma o texto global na sua própria peça de defesa, desfraldada no site de Veja.

A CPI do Cachoeira em potência encerra perigos em primeiro lugar para a Editora Abril. Nem por isso os demais da mídia nativa estão a salvo, o mal de um pode ser de todos.

O autor do editorial exibe a tranquilidade de Pitágoras na hora de resolver seu teorema, na certeza de ter demolido com sua pena (imortal?) os argumentos de CartaCapital.

Arrisca-se, porém, igual a Rui Falcão, de quem se apressa a citar a frase sobre a CPI, vista como a oportunidade “de desmascarar o mensalão”.

Com notável candura evoca o Caso Watergate para justificar o chefe da sucursal de Veja em Brasília nas suas notórias andanças com o chefão goiano. Ambos desastrados, o editorialista e o líder petista.

Abalo-me a observar que a semanal abriliana em nada se parece com o Washington Post, bem como Roberto Civita com Katharine Graham, dona, à época de Watergate, do extraordinário diário da capital americana.
Poupo os leitores e os meus pacientes botões de comparações entre a mídia dos Estados Unidos e a do Brasil, mas não deixo de acentuar a abissal diferença entre o diretor de Veja e Ben Bradlee, diretor do Washington Post, e entre Policarpo Jr. e Bob Woodward e Carl Bernstein, autores da série que obrigou Richard Nixon a se demitir antes de sofrer o inevitável impeachment.

E ainda entre o Garganta Profunda, agente graduado do FBI, e um bicheiro mafioso.

Recomenda-se um mínimo de apego à verdade factual e ao espírito crítico, embora seja do conhecimento até do mundo mineral a clamorosa ignorância das redações nativas.

Vale dizer, de todo modo, que, para não perder o vezo, o editorialista global esquece, entre outras façanhas de Veja, aquele épico momento em que a revista publica o dossiê fornecido por Daniel Dantas sobre as contas no exterior de alguns figurões da República, a começar pelo presidente Lula.

Concentro-me em outras miopias de O Globo. Sem citar CartaCapital, o jornal a inclui entre “os veículos de imprensa chapa-branca, que atuam como linha auxiliar dos setores radicais do PT”.

Anotação marginal: os radicais do PT são hoje em dia tão comuns quanto os brontossauros. Talvez fossem anacrônicos nos seus tempos de plena exposição, hoje em dia mudaram de ideia ou sumiram de vez.

Há tempo CartaCapital lamenta que o PT tenha assumido no poder as feições dos demais partidos.

Vamos, de todo modo, à vezeira acusação de que somos chapa-branca.

Apenas e tão somente porque entendemos que os governos do presidente Lula e da presidenta Dilma são muito mais confiáveis do que seus antecessores?

Chapa-branca é a mídia nativa e O Globo cumpre a tarefa com diligência vetusta e comovedora, destaque na opção pelos interesses dos herdeiros da casa-grande, empenhados em manter de pé a senzala até o derradeiro instante possível.

Não é por acaso que 64% dos brasileiros não dispõem de saneamento básico e que 50 mil morrem assassinados anualmente.

Ou que os nossos índices de ensino e saúde públicos são dignos dos fundões da África, a par da magnífica colocação do País entre aqueles que pior distribuem a renda.

Em compensação, a minoria privilegiada imita a vida dos emires árabes.

Chapa-branca a favor de quem, impávidos senhores da prepotência, da velhacaria, da arrogância, da incompetência, da hipocrisia?

Arauto da ditadura, Roberto Marinho fermentou seu poder à sombra dela e fez das Organizações Globo um monstro que assola o Brazil-zil-zil.

Seu jornal apoiou o golpe, o golpe dentro do golpe, a repressão feroz. Illo tempore, seu grande amigo chamava-se Armando Falcão.

Opositor ferrenho das Diretas Já, rejubilado pelo fracasso da Emenda Dante de Oliveira, seu grande amigo passou a atender pelo nome de Antonio Carlos Magalhães.

O doutor Roberto em pessoa manipulou o célebre debate Lula versus Collor, para opor-se a este dois anos depois, cobrador, o presidente caçador de marajás, de pedágios exorbitantes, quando já não havia como segurá-lo depois das claras, circunstanciadas denúncias do motorista Eriberto, publicadas pela revista IstoÉ, dirigida então pelo acima assinado.

Pronta às loas mais desbragadas a Fernando Henrique presidente,com o aval de ACM, a Globo sustentou a reeleição comprada e a privataria tucana, e resistiu à própria falência do País no começo de 1999, após ter apoiado a candidatura de FHC na qualidade de defensor da estabilidade.

Não lhe faltaram compensações. Endividada até o chapéu, teve o presente de 800 milhões de reais do BNDES do senhor Reichstul. Haja chapa-branca.

Impossível a comparação entre a chamada “grande imprensa” (eu a enxergo mínima) e o que chama de “linha auxiliar de setores radicais do PT”, conforme definem as primeiras linhas do editorial de O Globo.

A questão, de verdade, é muito simples: há jornalismo e jornalismo.

Ao contrário destes “grandes”, nós entendemos que a liberdade sozinha, sem o acompanhamento pontual da igualdade, é apenas a do mais forte, ou, se quiserem, do mais rico. É a liberdade do rei leão no coração da selva, seguido a conveniente distância por sua corte de ienas.

Acreditamos também que entregue à propaganda da linha auxiliar da casa-grande, o Brasil não chegaria a ser o País que ele mesmo e sua nação merecem.

Nunca me canso de repetir Raymundo Faoro: “Eles querem um País de 20 milhões de habitantes e uma democracia sem povo”.

No mais, sobra a evidência: Roberto Civita é o Murdoch que este país pode se permitir, além de inventor da lâmpada Skuromatic a convocar as trevas ao meio-dia.

Temos de convir que, na mídia brasileira, abundam os usuários deste milagroso objeto.

domingo, 6 de maio de 2012

Veja, a vanguarda da mídia sem princípios.

sábado, 5 de maio de 2012

Veja e o conluio da bandidagem
Por Mino Carta, na CartaCapital:

Por que a mídia nativa fecha-se em copas diante das relações entre Carlinhos Cachoeira e a revistaVeja? O que a induz ao silêncio? O espírito de corpo? Não é o que acontece nos países onde o jornalismo não se confunde com o poder e em vez de servir a este serve ao seu público. Ali os órgãos midiáticos estão atentos aos deslizes deste ou daquele entre seus pares e não hesitam em denunciar a traição aos valores indispensáveis à prática do jornalismo. Trata-se de combater o mal para preservar a saúde de todos. Ou seja, a dignidade da profissão.

O Reino Unido é excelente e atualíssimo exemplo. Estabelecida com absoluta nitidez a diferença entre o sensacionalismo desvairado dos tabloides e o arraigado senso de responsabilidade da mídia tradicional, foi esta que precipitou a CPI habilitada a demolir o castelo britânico de Rupert Murdoch. Isto é, a revelar o comportamento da tropa murdoquiana com o mesmo empenho investigativo reservado à elucidação de qualquer gênero de crime. Não pode haver condão para figuras da laia do magnata midiático australiano e ele está sujeito à expulsão da ilha para o seu bunker nova-iorquino, declarado incapaz de gerir sua empresa.

O Brasil não é o Reino Unido, a gente sabe. A mídia britânica, aberta em leque, representa todas as correntes de pensamento. Aqui, terra dos herdeiros da casa-grande e da senzala, padecemos a presença maciça da mídia do pensamento único. Na hora em que vislumbram a chance, por mais remota, de algum risco, os senhores da casa-grande unem-se na mesma margem, de sorte a manter seu reduto intocado. Nada de mudanças, e que o deus da marcha da família nos abençoe. A corporação é o próprio poder, de sorte a entender liberdade de imprensa como a sua liberdade de divulgar o que bem lhe aprouver. A distorcer, a inventar, a omitir, a mentir. Neste enredo vale acentuar o desempenho da revista Veja. De puríssima marca murdoquiana.

Não que os demais não mandem às favas os princípios mais elementares do jornalismo quando lhes convém. Neste momento, haja vista, omitem a parceria Cachoeira-Policarpo Jr., diretor da sucursal de Veja em Brasília e autor de algumas das mais fantasmagóricas páginas da semanal da Editora Abril, inspiradas e adubadas pelo criminoso, quando não se entregam a alguma pena inspirada à tarefa de tomar-lhe as dores. Veja, entretanto, superou-se em uma série de situações que, em matéria de jornalismo onírico, bateram todos os recordes nacionais e levariam o espelho de Murdoch a murmurar a possibilidade da existência de alguém tão inclinado à mazela quanto ele. E até mais inclinado, quem sabe.

O jornalismo brasileiro sempre serviu à casa-grande, mesmo porque seus donos moravam e moram nela. Roberto Civita, patrão abriliano, é relativamente novo na corporação. Sua editora, fundada pelo pai Victor, nasceu em 1951 e Veja foi lançada em setembro de 1968. De todo modo, a se considerarem suas intermináveis certezas, trata-se de alguém que não se percebe como intruso, e sim como mestre desbravador, divisor de águas, pastor da grei. O sábio que ilumina o caminho. Roberto Civita não se permite dúvidas, mas um companheiro meu na Vejacensurada pela ditadura o definia como inventor da lâmpada Skuromatic, aquela que produz a treva ao meio-dia.

Indiscutível é que a Veja tem assumido a dianteira na arte de ignorar princípios. A revista exibe um currículo excepcional neste campo e cabe perguntar qual seria seu momento mais torpe. Talvez aquele em que divulgou uma lista de figurões encabeçada pelo então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, apontados como donos de contas em paraísos fiscais.

Lista fornecida pelo banqueiro Daniel Dantas, especialista no assunto, conforme informação divulgada pela própria Veja. O orelhudo logo desmentiu a revista, a qual, em revide, relatou seus contatos com DD, sem deixar de declinar-lhes hora e local. A questão, como era previsível, dissolveu-se no ar do trópico. Miúda observação: Dantas conta entre seus advogados, ou contou, com Luiz Eduardo Greenhalgh e Márcio Thomaz Bastos, e este é agora defensor de Cachoeira. É o caso de dizer que nenhuma bala seria perdida?

Sim, sim, mesmo os mais eminentes criminosos merecem defesa em juízo, assim como se admite que jornalistas conversem com contraventores. Tudo depende do uso das informações recebidas. Inaceitável é o conluio. A societas sceleris. A bandidagem em comum.

Domingo Espetacular, da TV Record, produz matéria histórica sobre como a Veja servia ao crime organizado.

sábado, 5 de maio de 2012

Veja ameaça STF com possíveis denúncias.

SEXTA-FEIRA, 4 DE MAIO DE 2012

Veja chantageia Supremo Federal


Como é próprio do banditismo jornalístico praticado pela revista Veja, a versão eletrônica do periódico publicou nota na internet, assinada pelo jornalista Lauro Jardim, dizendo que foram remetidos ao presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito que apura ações criminosas de Carlinhos Cachoeira autos de nova investigação, até agora desconhecida, que envolveriam em ilícitos do contraventor nada menos que 4 magistrados da mais alta corte do País e ainda outros 10 juízes do Superior Tribunal de Justiça.

Se os poderes investigativos da República encarnados na CPI já tinham motivos de sobra para levar aos tribunais os acintosos controladores da revista mais os tem agora diante da flagrante chantagem que fazem os Civita de porem as instituições abaixo caso perseverem os intentos de convocação do magnata dono da Editora Abril.

A nota-ameaça, que foi confirmada pelo colunista mesmo depois de manifestação expressa do presidente da CPI sobre a absoluta improcedência da notícia de que tenha sido remetida à comissão qualquer outro inquérito senão aqueles já divulgados pela polícia federal, surge logo após entrevista dada pelo relator da comissão Odair Cunha na qual afirmava que havia disposição de convocar responsáveis da Veja caso as investigações apontassem conexões entre a organização criminosa e o semanário.

Fica evidente, pela ousadia e afronta do colunista, que não cessaram as ligações entre funcionários da empresa jornalística e o criminoso, mesmo depois da sua prisão dois meses atrás. De dentro da cadeia, e antes que venha depor perante a CPI, Cachoeira ainda promove dossiês e usa a revista para antecipá-los.

Se for verdade o que dizem Veja e Cachoeira a República virá abaixo como disse o jornalista Luis Nassif, quem primeiro comentou o assunto. Se for simples blefe da quadrilha, será o caso de imputar à publicação as penas cominadas na Lei de Segurança Nacional por injúria grave ao poder judiciário brasileiro, o que poderia levar até ao encerramento das atividades da publicação.

É grave o que vem a público com a singela nota da revista Veja. Ou se lhe dá completa elucidação ou se apaguem as luzes da República.

Serra alimenta Veja com dinheiro público e usa jornalista da revista em sua campanha.

Serra deu R$ 34 milhões à editora que publica a revista Veja quando era governador de SP
Tucano escolheu um ex-jornalista da revista para assumir sua campanha à Prefeitura de SP
Do R7

Valter Campanato/ABr

Compra das assinaturas representava cerca de 25% da tiragem da Nova Escola

Um levantamento feito junto ao Diário Oficial do Estado de São Paulo mostra que o ex-governador José Serra, quando ocupava o cargo, pagou cerca de R$ 34 milhões ao longo de um ano ao Grupo Abril, responsável pela publicação da revista Veja.

A pesquisa feita pelo jornalista Altamiro Borges em 2010, do jornal Correio do Brasil, revela que o dinheiro era transferido do governo paulista para o grupo por causa de assinaturas de revistas.

Parte do dinheiro foi destinado para a compra de cerca de 25% da tiragem da Nova Escola e injetou alguns milhões nos cofres de Roberto Civita, o empresário que controla a Editora Abril.

Além disso, na época, o tucano também apresentou proposta curricular que obrigava a inclusão no ensino médio de aulas baseadas nas edições do Guia do Estudante, outra publicação do grupo.

Depois de vários contatos, o R7 aguardava o retorno prometido pelos assessores do ex-governador.

Caso Cachoeira e a Veja
Nesta semana, gravações feitas pela Polícia Federal, às quais o R7 teve acesso, mostraram que Cláudio Abreu , ex-diretor da Delta Construções, deu orientações a um dos redatores-chefes da revista Veja, Policarpo Júnior, para produção de uma reportagem sobre Agnelo Queiroz (PT-DF).

Dias antes, foi publicada uma denúncia sobre a atuação do governador na operação Caixa de Pandora, que derrubou o antecessor e rival José Arruda (ex-DEM). 

Aparentemente, o grupo de Cachoeira tentava abastecer a revista com informações que interessavam a seus negócios.

Entre o dia 29 e 30 de janeiro, membros do grupo discutiram a repercussão da matéria e usaram a história para pressionar o governo pelo cumprimento de uma promessa não identificada pelo inquérito da PF.

Recentemente, Serra, atual pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, anunciou o jornalista Fábio Portela, ex-editor de Brasil da revista Veja, como coordenador de imprensa de sua campanha.

Cachoeira mandou, a Veja publicou. É a imprensa do crime.

Veja pode ser acusada de crime de “favorecimento real”
Posted by eduguim on 04/05/12 • Categorized as Análise


A edição de sexta-feira, 4 de maio de 2012, do jornal Folha de São Paulo traz a seguinte manchete de primeira página: “Relator da CPI do Cachoeira diz que poderá investigar mídia”. O relator é o deputado Federal Odair Cunha (PT-MG), que declarou que “se houve cooptação e corrupção de alguns atores da mídia, isso deve ser investigado”. Para ele, “não há tema proibido”.

Antes de prosseguir há que ler a matéria, que reproduzo abaixo. Se já leu, pule e vá à continuação do post. Caso contrário, leia.



- clique na imagem para ir à página original -

O fato é um só: há indícios mais do que concretos de que a publicação, através de um ou mais membros de sua equipe, publicou matérias do interesse do criminoso Carlos Cachoeira, que está preso na penitenciária da Papuda, em Brasília, tendo tido já habeas corpus negado pela Justiça.

Cachoeira, é bom dizer, não é apenas um contraventor. A exploração de jogos ilegais pode ser contravenção, mas o bicheiro não cometeu só esse tipo de infração da lei. Há crimes de associação criminosa, de corrupção de autoridades e de apropriação indébita de dinheiro público. No mínimo, é isso, mas podem aparecer muitos outros crimes.

Guarde esta informação, leitor, pois precisará dela mais adiante.

A revista Veja e o resto da grande imprensa omitem diálogos comprometedores do jornalista Policarpo Júnior, citado na matéria da Folha supra reproduzida, mas esses diálogos sugerem influência do criminoso Carlos Cachoeira na publicação da Editora Abril, a qual pode ter publicado matérias a pedido dele.

Revista e congêneres contra-argumentam que Cachoeira era apenas uma fonte da revista, mas há elementos mais do que suficientes para insinuar que pode ter ocorrido mais do que isso. O que se suspeita contra a Veja, suspeita-se contra outras pessoas que aparecem nas gravações da Polícia Federal e que estão alegando a mesma coisa que a Veja e o resto da grande imprensa.

Tome-se o exemplo de Carlos Cachoeira e o deputado federal Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO). Matéria da mesma Folha explica uma situação que pode, perfeitamente, aplicar-se à Veja. Leia matéria da versão eletrônica do jornal na internet que parece pretender aliviar a barra de Leréia, ma que não consegue por razões que explico logo em seguida ao que vem abaixo.



- clique na imagem para ir à página original -

A matéria é extremamente condescendente com Leréia, pois, como pedi para que o leitor se lembrasse, Cachoeira não é só um contraventor. Fosse assim, não teria sido criada uma CPI. A contravenção dele deu curso a crimes, crimes dos quais ele participou, e se participou de crimes torna-se um… criminoso. Ou não?

Ah, mas, então, a mídia e a própria Veja alegam que a imprensa tem garantia constitucional de sigilo da fonte, e diz de uma forma como se sigilo da fonte significasse inimputabilidade total inclusive para acobertar e favorecer crimes.

Não é bem assim. Outra matéria explica melhor do que este blogueiro “sujo” explicaria. É do site Legislação em Comunicação. Permite ao leitor entender que há limites muito claros a esse preceito constitucional sobre sigilo da fonte. Leia a matéria abaixo e, em seguida, a conclusão deste post.

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Legislação em Comunicação

http://legislacaoemcomunicacao.blogspot.com.br/2011/05/sigilo-das-fontes.html

TERÇA-FEIRA, 10 DE MAIO DE 2011

Anonimato de fontes na imprensa

Por Carolina Câmara

Estudos apontam que as primeiras práticas de anonimato tiveram origem na associação de credores do Estado, ainda na Idade Média. Mas foi em 1407, em Gênova, através do Banco São Jorge, que surgiram as primeiras sociedades anônimas, no qual o investidor, que emprestava o dinheiro, não se identificava.

O conceito mais comum sobre o termo é entendido como o ato de não querer se identificar. Hoje, no entanto, a ideia sobre anonimato possui um caráter diferente e é regido por leis. A Constituição Federal, no art. 5º inciso IV, proíbe o anonimato de forma ampla, abrangendo todos os meios de comunicação (cartas, matérias jornalísticas, informes publicitários, mensagens na Internet, notícias radiofônicas ou televisivas, etc.), ao deixar claro que “É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato.”.

No âmbito jornalístico, no entanto, ocorre uma prática que vai de encontro com a referida lei: é o caso do sigilo de fontes. O anonimato das mesmas ocorre com o intuito de proteção e segurança do indivíduo que forneceu determinada informação. Na maioria dos casos, são vítimas ou testemunhas de um crime ou casos de violência contra o patrimônio público e cidadania. Segundo Yara Vasku, jornalista do Jornal A Tarde, as editorias de política e polícia são as que reservam mais exemplos desses casos.

Legislação

Entrevista com Társis Lima – Juiz Federal

Com a não validação da Lei de Imprensa, como o jornalista e fonte são assegurados diante das matérias publicadas?

A extinta Lei de Imprensa assegurava a conduta: “No exercício da liberdade de manifestação do pensamento e de informação, não é permitido o anonimato. Será, no entanto, assegurado e respeitado o sigilo quanto às fontes ou origem de informações recebidas ou recolhidas por jornalistas, rádio-repórteres ou comentaristas”. Mas, com a decisão do Supremo Tribunal Federal de declarar a inconstitucionalidade de diversos artigos da Lei de Imprensa (Lei n. 5.250/67), em 2007, as questões relativas a ilícitos e danos causados através da imprensa passaram a ser regidas pelo Código Penal e pelo Código Civil.

É preciso salientar que ambos devem ser interpretados a partir da Constituição Federal da República do Brasil, que fixa premissas básicas para as relações entre mídia e vida privada, mídia e sociedade, mídia e Estado (art. 5., IV, e art. 220 a 224).

Quais leis asseguram o sigilo de fontes na imprensa?

O sigilo da fonte é uma conseqüência lógica da liberdade de imprensa, já que o jornalismo ocupa o espaço institucional de veiculação de informações com objetividade, ou seja, assume-se como órgão voltado especificamente ao dever de informar (órgão de comunicação social, regulada pelos art. 220 a 224 da Constituição Federal).

(…)

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Quem tiver interesse, pode ler a matéria na íntegra. Sua parte final discorre sobre os direitos da fonte que tiver seu sigilo violado pela imprensa, mas aqui o que se discute é o fato de que a fonte que se diz proteger não era uma vítima, mas uma autora de crimes. E este blog acredita, com base em consulta a mais de uma fonte versadas em Direito, que todos os indícios desse tipo de relação da Veja com Carlos Cachoeira estão presentes.

Faz-se necessário que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga o esquema criminoso se debruce também sobre essa questão devido aos meios poderosos que a revista Veja dispõe para favorecer crimes e sobre sua responsabilidade aumentada em veicular só a verdade e de, inclusive, informar crimes, o que, aliás, tem sido a tônica do trabalho que alega fazer “pelo país” e “contra a corrupção”.

O relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha, diz que “pode” ocorrer essa investigação. Este post ilustra com base em quê. Resta saber se a CPI cumprirá seu dever, se não se deixará pressionar pelo poder da mídia. Se tal omissão ocorrer, a sociedade civil não pode aceitar. Alguém terá que se levantar contra essa bofetada no povo brasileiro. E alguém se levantará, isso é certeza.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Desdobramentos do caso Demóstenes-Cachoeira apontam para Serra.

Colocaram o bode na sala de Serra
José Serra é um dos maiores prejudicados com o desmantelamento da quadrilha liderada por Carlinhos Cachoeira, escudada pelo vestal Demóstenes Torres.
A seguir o seu curso natural, mais e mais integrantes abandonados e excluídos vão dar com as línguas nos dentes e revelar ao Brasil a verdadeira extensão dos tentáculos da ORCRIM (Organização Criminosa - já estou me habituando a linguagem policial com a leitura do inquérito).
Não pode ser outra a conclusão ao ler as declarações de Ernani de Paula, ex-prefeito de Anápolis, traído por Cachoeira.
Ele sabe muito e quer falar.
Já deu duas dicas interessantes: sigam os genéricos e as faculdades privadas.
E genéricos lembram quem? Serra.
Outro duro golpe no eterno candidato é a derrubada eminente de Marconi Perillo. E a completa desmoralização e a criminalização da revista Veja e de seu comandante Civita.
Os próximos capítulos não serão fáceis para Serra e os tucanos, mas a solidariedade não parece o forte dessa ave (que possui dois dedos pra frente e dois pra trás... vai entender porque.. ).
Aécio, ao ler as pesquisas que apontam a popularidade recorde do governo Dilma, mais do que depressa colocou Serra na disputa por 2014 e passou a mirar a Cidade Administrativa que construiu à semelhança dos prédios de Brasília para contentar o seu ego.
Alckmin, já anunciou que todos os contratos com a construtora Delta com o governo do Estado de São Paulo serão auditados.
Não por acaso o maior contratante foi o governador Serra, e quem assinou os contratos foi o famoso Paulo Preto.
Colocaram o bode na sala de Serra.

terça-feira, 24 de abril de 2012

"Uma imprensa que não pratica a transparência tem menos autoridade para cobrá-la do Estado"


MÍDIA, DEMÓSTENES & CACHOEIRA
Imprensa livre é imprensa transparente
Por Eugênio Bucci em 24/04/2012 na edição 691

Reproduzido do Estado de S.Paulo, 19/4/2012; intertítulos do OI

Os defensores de uma CPI mista sobre o escândalo Demóstenes-Cachoeira anunciaram há dois dias que já têm em mãos assinaturas sobrando para instalá-la. Coletaram 67 nomes no Senado Federal e outros 340 na Câmara dos Deputados, bem mais do que o mínimo necessário, de 27 no Senado e 171 na Câmara. Sem trocadilho, parece mesmo que as águas vão rolar. “Doa a quem doer”, teria dito um alto dirigente petista, com o propósito de dirimir quaisquer dúvidas quanto a uma vontade velada de seu partido de refugar e abafar a investigação. No dizer de estrategistas palacianos, a CPI poderá “respingar” no governo Dilma Rousseff (dando curso às metáforas líquidas que o episódio enseja), mas, mesmo assim, parece que ela vem aí. “Doa a quem doer”, repetiu uma liderança do combalido Democratas. Chegamos assim àquele ponto de não retorno, ou, se quisermos dizer a mesma coisa no linguajar do cancioneiro popular, daqui para a frente “não dá mais para segurar”. O coração do submundo da política poderá, sim, explodir, e aí vai doer em muita gente. Caixas-pretas correm o sério risco de ser viradas pelo avesso. Água mole em pedra dura, sabe como é.

Alguém já disse que esta, sim, será “a CPI do fim do mundo”, o que é bastante improvável. Como de costume, nessas horas o alarmismo sobe de tom, ganha constrangedora estridência, à beira da histeria. Os parlamentares e seus partidos que fiquem com o medo para eles – do ponto de vista da cidadania, quanto mais roupa suja for lavada em público (sigamos com as imagens aquosas), melhor. Quanto mais transparência, mais daremos razão a Hillary Clinton, segundo quem a presidente Dilma teria firmado um novo “padrão global” no combate à corrupção. Que assim seja.

A investigação não pode faltar nos regimes democráticos
No meio desse mar tão revolto, açoitado por tempestades verbais, não necessariamente cerebrais, há um tema paralelo que vem crescendo. Trata-se de um aspecto específico que raramente ocupa lugar nas páginas dos jornais: as relações entre esses esquemas de corrupção – como o de Carlinhos Cachoeira – e a imprensa. Isso não é objeto de CPI, naturalmente, mas deveria merecer mais destaque na pauta jornalística. O tema não deveria ser jogado fora junto com a água suja – ele é de interesse público. A questão é: em que termos ele é de interesse público?

Uns e outros já se apressaram a sentenciar que qualquer jornalista que entreviste ladrão presta serviços à bandidagem, num arroubo que, além de moralista, é falso, bastante estulto e, talvez, pérfido, mal-intencionado. E por quê? Muito simples. Levemos em conta que, por aqui, nenhum partido olha os antecedentes criminais de seus assim chamados “quadros” – ao contrário, uma boa folha corrida pode até mesmo ser critério de promoção nas instâncias partidárias. Nesse ecossistema, a atividade de cobrir a política requer de seus praticantes a rotina insalubre de conversar com vigaristas. Obrigatoriamente. Fora isso, o jornalismo sempre teve o dever de ouvir os fora-da-lei. É parte do ofício, parte dos afazeres de uma imprensa que se quer livre. Exatamente por isso, quanto mais forem visíveis e claros os procedimentos de repórteres que escutam assaltantes do erário, melhor para a instituição da imprensa e também para o cidadão.

É nessa medida que o assunto é de interesse público: embora não seja propriamente objeto de CPI, que se instala para investigar um fato concreto, deve ser esclarecido pela própria imprensa, uma vez que interessa à sociedade. Mais que isso: o esclarecimento desse tema ajudaria a sociedade a entender melhor a investigação jornalística e por que essa investigação não pode faltar, nunca, nos regimes democráticos. É um equívoco supor que, exposto nos jornais, esse assunto abriria caminho para os que atacam a liberdade de imprensa. Ao contrário, quanto mais tematizado, mais ele fornecerá subsídios para a defesa e a valorização da reportagem investigativa.

É o público leitor que tem direito à imprensa livre
É nesse ponto que chama a atenção a resistência ao debate. Para alguns jornalistas, esse tópico não passa de uma armadilha, uma casca de banana, um instrumento oportunista daqueles que pretendem regular – pela força do governo – o conteúdo do noticiário. Sim, pode até ser verdade. Admitamos que no meio da barulheira existam aqueles que se aproveitam do momento para criar um caldo de cultura favorável a que o poder enquadre o jornalismo – não subestimemos as megalomanias totalitárias que vão pela cabeça de uns e outros. Mas, no fundamental, o tema é mais relevante do que a intenção dos autoritários. Ele é de interesse público na exata medida em que a liberdade de expressão é de interesse público.

Muitos defensores da imprensa livre afirmam – com razão – que ela não pode ser pautada pelo Estado. Pela mesma razão, deveriam também afirmar que ninguém, em nome da liberdade de imprensa, deve pretender pautar o que os militantes políticos dizem ou deixam de dizer. Se dirigentes partidários lançam mão de palpites infelizes sobre a função dos jornais, o papel dos defensores da liberdade é desmontar esses palpites, mostrando que eles são infelizes. Insistir na mera desqualificação pessoal do autor do palpite é dar curso a um procedimento discursivo igualmente autoritário, que não contribui para que o público entenda melhor o jornalismo.

Uma imprensa que não se antecipa a compartilhar com a sociedade os seus critérios editoriais, os seus métodos e as suas condutas operacionais tem menos chances de ser defendida ativamente pelo seu próprio leitor. É ele, o público leitor, que tem direito à imprensa livre – é, portanto, a ele que a imprensa livre deve prestar contas. O cidadão tem mais apreço pelo jornalismo quando é convidado a compreendê-lo, a fiscalizá-lo e a sustentá-lo.

No mais, uma imprensa que não pratica a transparência tem menos autoridade para cobrá-la do Estado.

***

[Eugênio Bucci, jornalista, é professor da ECA-USP e da ESPM]

Nova era da "Escandalogia" brasileira.

MÍDIA E ANTIMÍDIA JUNTAS
Uma faxina que pode fazer história
Por Alberto Dines em 17/04/2012 na edição 690

Pelo material fornecido por Cileide Alves, editora-chefe do diário O Popular, de Goiânia, parece evidente que o tradicional jornal goiano não olhou para o lado: depois do escândalo Waldomiro Diniz, divulgado pela revista Época em fevereiro de 2004, manteve sob vigilância as andanças de Carlinhos Cachoeira no mundo da contravenção.

A conclusão óbvia é que quem olha para o lado quando os jornais regionais põem a boca no trombone é a mídia nacional. Isso é ainda mais grave porque a esmagadora maioria desses veículos de porte médio pertencem a grupos jornalísticos cujo carro-chefe costuma ser uma emissora afiliada de uma rede nacional de TV.

Os regionais fazem o que lhes compete, os nacionais é que não cumprem a sua parte no contrato de fiscalização do poder público no país. Os grandes veículos adoram o PF, o prato feito, escândalos maiúsculos, de preferência flagrados por arapongas em fitas, vídeos e câmaras ocultas.

O trabalho dos repórteres-formiguinhas no Brasil profundo não tem charme. A impunidade e o descaso com a corrupção começam no descompasso cívico entre as metrópoles e os grotões. O combate solitário do Jornal Pessoal de Lúcio Flávio Pinto em Belém do Pará desvenda esta desastrosa desarticulação e desafinação entre as diferentes esferas midiáticas.

Oposição e situação
O problema maior, porém, é a incapacidade da mídia nacional de exercitar o metajornalismo, jornalismo sobre o jornalismo. Além do teor de uma denúncia é imperioso saber como ela chegou a ser transformada em notícia. Sobretudo quando inexiste um trabalho prévio e comprovado de reportagem e investigação.

A sucessão de flagrantes de corrupção desde o episódio Waldomiro Diniz revela a presença de espiões profissionais, arapongas, atravessadores do processo de buscar informações para o conhecimento público. Quando Época revelou o escândalo, poucos foram os jornalistas que se interessaram em saber como aquelas cenas chegaram à redação. Este observador vem tentando mostrar há alguns anos que este “jornalismo fiteiro” (de fitas e vídeos), cevado nos desvãos do poder na capital federal, é uma forma bastarda de investigação (ver “A mídia e o jornalismo fiteiro”).

No domingo (15/4), em apenas meia página compactada com informações a Folha de S.Paulo escancarou o sistema e seu principal operador, o ex-sargento da FAB Idalberto de Araújo, vulgo Dadá, que trabalha há anos para Carlinhos Cachoeira, depois serviu na operação Satiagraha e finalmente envolveu-se com a preparação de um dossiê para desmoralizar um dos candidatos na campanha de 2010.

O pretexto de preservar fontes de informação tem servido ao time de “fiteiros” como pretexto para esconder informações de capital importância. A denúncia de ilícitos não pode ser ela própria um ilícito.

As revelações da Operação Monte Carlo que enredaram o senador Demóstenes Torres na rede do crime organizado está produzindo uma sucessão de choques na sociedade justamente porque foram apuradas pela Polícia Federal com autorização judicial – e encaminhadas ao foro competente, o STF. E porque foram produzidas para defender o interesse público e não interesses escusos, seus desdobramentos são tão surpreendentes.

Pela primeira vez na “escandalogia” brasileira temos oposição e situação rigorosamente irmanadas na busca de culpados. E, como consequência, mídia e antimídia convertidos inapelavelmente em parceiros.

Esta faxina pode ser histórica.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Civitta, a face perversa da mídia.

De Luiz Cezar - Brasil que vai

QUINTA-FEIRA, 19 DE ABRIL DE 2012

Veja e seu dono sem escrúpulos

A regra número um de qualquer ofensor é passar-se por inofensivo. E a melhor forma de fazê-lo é vestir a máscara do probo. Daí talvez a hipocrisia ter-se instalado como traço mais marcante do caráter nacional, a ponto de Nelson Rodrigues ter visto no discurso de zelo da ordem familiar o biombo para toda espécie de transgressão daquilo que é ético e justo.

Esse parece ter sido o caso patriarca Victor Civitta, empresário do ramo editorial, cujo nome de família constitui ele mesmo dissimulação um dia necessária às perseguições que sofreram famílias vindas de uma Europa conflagrada pelos crimes de ódio aos que vergassem nomes judeus.

Estranhamente, trazendo no nome a marca de resistência à discriminação – como o trazem também os Mesquita e os Frias dos jornais O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo, respectivamente – Civitta fez da perseguição o principal meio de promoção da sua principal publicação, a revista Veja.

Não o fez, porém, por apego à convicções do que pudesse ser melhor para o País onde sua ascendência e ele próprio receberam democrática acolhida para poder prosperar. Expôs à execração pública cidadãos como ele apenas pelo estratagema que lhe permitisse manter a tona suas principais publicações em circunstâncias desfavoráveis de negócio.

Não agradou ao magnata Civitta que governos populares tenham alterado a dinâmica de domínio do grande capital sobre as decisões econômicas do Estado, como nos tempos do governo liberal de Fernando Henrique Cardoso, que lhe carreava às empresas vultosas somas com anúncios e matérias patrocinadas por poderosos lobbies do capital transnacional.

Agradou-lhe menos ainda a perda de influência sobre as instituições públicas e os governos estaduais das forças políticas identificadas com o enfraquecimento do papel do Estado na economia, que trouxeram consigo também perda de comando sobre verbas publicitárias de grandes fornecedores do setor público.

A migração de leitores da mídia impressa para meios alternativos de comunicação eletrônica só fez por agravar a debilidade financeira das revistas de Civitta. A fraqueza política das oposições contribuiu com outro tanto das dificuldades para que o capitão das comunicações decidisse oferecer serviços de panfletagem política ao principal partido político das oposições ainda no controle de dois importantes estados da federação, Minas e São Paulo.

Foi assim que o grupo Abril obteve milionários contratos com os governos dos estados de São Paulo e Minas Gerais, na forma de compra sem licitação de publicações – dentre essas a revista Veja – para distribuição entre usuários e prestadores de serviços públicos. Mais recentemente a empresa obteve, pelo mesmo meio da troca de favores, espaço gratuito para a veiculação de programas na emissora de TV estatal paulista.

O passo mais ousado estaria ainda por vir, nas saídas buscadas pelo empresário para tirar seus negócios do atoleiro em que os colocara as novas situações de política e de mercado do País. Civitta ordenou a empregados lotados em Brasília, à altura da metade do primeiro mandato de Lula da Silva, que buscassem no crime organizado, atuante em diferentes esferas do governo federal, informações que permitissem às revistas controladas pelo grupo constranger funcionários públicos a direcionarem empresas contratadas para anunciar nos periódicos do Grupo Abril.

Para que a fórmula baseada na intimidação funcionasse era necessário instalar verdadeiro clima de terror com relação à possibilidade de denúncias, de sorte a levar agentes públicos a preferirem antes negociar com o clã dos Civitta que explicarem-se perante órgãos de auditoria do governo federal.

O escândalo do chamado mensalão, que quase levou a um golpe branco contra o governo de Lula da Silva, nada mais foi que um efeito colateral da associação criminosa que mantinham Veja e o grupo do contraventor Carlos Cachoeira. Uma fagulha provocada pela chantagem dos parceiros atingiu o então deputado Roberto Jefferson ateando fogo ao paiol do Congresso majoritariamente de oposição.

A editora ganhava de dois lados. Por um via garantidos anúncios de fornecedores de órgãos e empresas públicas, temerosos de terem o nome de suas empresas envolvido com as denúncias de Veja. Por outro, ao atender a oposição com acusações graves contra importantes figuras da República, criava condições para a cobrança de faturas pelos serviços políticos prestados.

Uma larga avenida em declive só poderia redundar ao final em acidente fatal. Os negócios de Civitta, conduzidos em alta velocidade mediante uso farto da extorsão e chantagem, colidiram com uma nova institucionalidade que vem de firmar-se no País para a proteção dos interesses de Estado, fundada na auditoria técnica da Controladoria Geral da União e nas investigações criminais autônomas da Polícia Federal.

O rosto sulcado de Civitta, quando convocado pela CPI que o Congresso Nacional acaba de instalar, será mostrado em todas as televisões do mundo como a face mais perversa de certa mídia que faz da liberdade de imprensa arma para alavancar negócios, em detrimento das instituições maduras e confiáveis que países em rota de desenvolvimento como o Brasil esforçam-se por edificar.

Veja, a revista dos piores leitores.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Zé Augusto - Os Amigos do Presidente Lula

Veja une-se a banqueiros para convencer leitor burro a pagar juros de agiotagem
A revista Veja, sabuja de banqueiros, apronta mais uma:


Esse "em alguns casos" citado acima, é esclarecido em outro texto: trata-se do HSBC

Ora, ninguém vai "perceber efeitos da redução de juros" se não for na agência exigir refinanciar sua dívida, ou se não trocar de banco.

Vocês acham que bancos privados vão ser "bonzinhos" a ponto de baixar juros automaticamente para quem já tem dívidas contratadas e ficar acomodado sem reclamar? É claro que não.

Mas a Veja tem seus papagaios que ainda pensam que os banqueiros seriam "bonzinhos" e baixariam juros no piloto automático:



Esses leitores a revista se merecem.

Além disso, há na "reporcagem" acima, o merchandising descarado do banco privado Santander.

Em outro texto, na mesma data, no site da revista chega a surtar em matéria de lamber as botas dos banqueiros. Escreve coisas para fazer propaganda negativa de bancos públicos, explorando viés ideológico:

O Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal (CEF) agiam a soldo do Palácio do Planalto, que, preocupado em estimular a economia, não pensou duas vezes em intimar os “seus” a serem indutores da redução dos chamados spreads (diferença entre o custo de captação e de empréstimo no setor).
Mas como mentira tem perna curta, a Veja acaba entregando o jogo, sem querer, já no título da "reporcagem":


Ou seja, de fato existe uma tentativa dos bancos PRIVADOS de falarem que baixam juros, mas não estão cumprindo na prática para a maioria dos clientes.

A catimba é dos bancos PRIVADOS, como o corpo do texto acaba entregando:
...Em alguns casos, como no Santander, gerentes do segmento pessoa física nem estavam a par das reduções. “Tenho recebido seguidos e-mails de clientes perguntando sobre as novas taxas, mas nada mudou internamente. Continuamos fechando operações com os juros de sempre”, afirma uma gerente...
No HSBC, por exemplo, não basta ter conta salário no banco e ser adimplente. Para ter acesso a um crédito mais barato, os clientes devem investir em produtos do banco, tais como fundos ou seguros; não podem ter nenhum contrato de financiamento ativo na instituição; e ainda precisam de um avalista que seja correntista – alguém com renda suficiente para eventualmente arcar, em caso de atraso, com as parcelas do empréstimo que o tomador inicial almeja.
Se dependesse da Veja, o Brasil continuaria na roda presa dos juros escorchantes, e os brasileiros extorquidos pela agiotagem dos banqueiros privados.

E se depender dos bancos privados, continuará financiando revistas como a Veja e telejornais como os da TV Globo, para "convencer" brasileiros a se acomodarem à agiotagem.

Leia também:
- Que tal você mesmo reestatizar o BANESPA? Ou o BEMGE, BANERJ, BANEB, MERIDIONAL?